Morre Washington Olivetto, aos 73 anos

Washington Olivetto, um nome que muitos conhecem no mundo da publicidade, faleceu neste domingo (13). Com 73 anos, ele deixou um legado gigante na história da propaganda no Brasil. Quando a gente pensa em grandes campanhas publicitárias, aquelas que marcaram época e ficam na memória do povo, é impossível não lembrar de algum trabalho do Olivetto.

A história dele é cheia de curiosidades. Segundo o Wikipédia, o começo da carreira do Washington foi meio inusitado. Tudo começou em 1969, quando ele tinha 18 anos. Ele tava indo procurar um estágio numa agência de publicidade, mas no caminho o pneu do carro dele furou bem em frente à empresa. Meio por acaso, ele entrou lá e acabou saindo com uma vaga de redator. E olha só, em apenas três meses ele já tinha feito o primeiro comercial, e não era qualquer comercial, não! Era pra empresa Deca, e o trabalho foi tão bom que ganhou um Leão de Bronze no Festival de Publicidade de Cannes, um dos prêmios mais importantes da área.

Depois disso, ele só cresceu. No ano seguinte, foi pra DPZ, uma das maiores agências de publicidade da época, e em 1974, ele fez história de novo. Ganhou o primeiro Leão de Ouro da publicidade brasileira em Cannes, com um filme chamado “Homem com mais de quarenta anos”. Isso foi um marco, não só pra ele, mas pra todo o mercado publicitário do Brasil.

Na DPZ, ele formou uma dupla com o diretor de arte Francesc Petit, e juntos, os dois criaram campanhas memoráveis. Uma das mais conhecidas foi a do garoto-propaganda da Bombril, interpretado pelo ator Carlos Moreno. Sabe aquele cara que ficou no ar por décadas? Pois é, ele tá até no Guinness Book como o garoto-propaganda que mais tempo ficou na TV. Foram mais de 340 filmes publicitários! A parceria entre o Olivetto e a Bombril durou mais de 30 anos e só terminou em 2013.

Mas a história do Washington vai além da publicidade. Ele também se envolveu em causas importantes. Em 1981, ele participou da fundação da Democracia Corinthiana, um movimento que desafiava a Ditadura Militar no Brasil, e foi uma das maiores iniciativas de liberdade dentro do esporte. Por isso, em 2013, a Gaviões da Fiel, a torcida organizada do Corinthians, fez uma homenagem a ele no desfile de Carnaval. O tema era a história da publicidade brasileira, e o Olivetto teve o reconhecimento por sua importância dentro e fora das quatro linhas do futebol.

Uma parte tensa da vida dele aconteceu em 2001. Ele foi sequestrado em São Paulo por uma quadrilha de argentinos, colombianos e chilenos. Ficou quase três meses num cativeiro, um período de muito medo e incerteza. O resgate dele foi digno de filme. Uma estudante de Medicina, vizinha do cativeiro, começou a desconfiar dos barulhos estranhos que vinha do quarto ao lado da casa dela. Com o estetoscópio que ela usava pra estudar, ela escutou os sons vindos da parede e decidiu avisar a polícia. Graças a essa coragem e intuição da estudante, o Olivetto foi libertado.

E assim foi a vida de Washington Olivetto, cheia de altos e baixos, de conquistas marcantes e momentos difíceis. O que fica é a lembrança de um cara criativo, ousado e que mudou a cara da publicidade brasileira. A gente ainda vai lembrar por muito tempo das campanhas que ele criou, das ideias que ele trouxe e da maneira como ele influenciou tanto o mercado quanto a cultura do país.



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