Você sabia que alguns produtos que temos em casa podem estar afetando nossa saúde hormonal? Sim, tem uma classe de substâncias químicas que se chamam disruptores endócrinos (EDCs, na sigla em inglês) que podem ser mais preocupantes do que a gente imagina. Exemplos comuns desses produtos são ftalatos, BPA (ou bisfenol A) e retardantes de chama bromados.
O Dr. Michael Bloom, professor de saúde na Universidade George Mason, explicou que a pesquisa sobre esses químicos ainda está evoluindo, mas já se sabe que a exposição a eles pode estar ligada a problemas de saúde, como dificuldades no desenvolvimento cerebral, questões de fertilidade e até complicações na puberdade.
Mesmo que muita coisa ainda precise ser investigada, organizações como o Environmental Working Group estão sugerindo que as pessoas tomem cuidado com esses químicos e tentem se proteger. Os disruptores endócrinos têm um impacto direto nos hormônios do nosso corpo, que são super importantes para várias funções, como o desenvolvimento e a reprodução.
Esses químicos não são fabricados pelo corpo, mas acabam interferindo na forma como nossos hormônios trabalham. Alguns imitam hormônios naturais, como o estrogênio, enquanto outros podem alterar a quantidade de hormônios que nosso corpo produz. Por exemplo, os ftalatos são usados em muitos produtos, desde embalagens de alimentos até plásticos, e podem atrapalhar a produção de testosterona.
Os retardantes de chama bromados, por outro lado, estão presentes em eletrônicos e móveis e podem afetar a tireoide, uma glândula fundamental para o crescimento e desenvolvimento das crianças. O Dr. Bloom comentou que esses químicos “bagunçam” a comunicação hormonal, que é crucial para manter tudo funcionando direitinho no nosso corpo.
A Alexa Friedman, do Environmental Working Group, reforça que qualquer coisa que impacte os hormônios pode, sim, causar outros problemas de saúde. E estudos estão começando a mostrar que esses disruptores podem estar ligados a questões como déficit de atenção e dificuldades de controle de impulsos, principalmente se a exposição ocorrer quando estamos na infância.
O assunto fica ainda mais sério quando pensamos em meninas que estão tendo puberdade precoce. A Dra. Natalie Shaw, especialista em endocrinologia pediátrica, diz que isso pode aumentar o risco de problemas como obesidade, diabetes e até câncer de mama no futuro.
A questão é que estudar os EDCs não é fácil. Muitos dos dados que temos vêm de experimentos em células, onde se expõem essas células a concentrações de químicos bem maiores do que a maioria de nós encontra no dia a dia. Para ter uma ideia melhor dos efeitos reais, os pesquisadores analisam amostras de urina e comparam os níveis de EDCs com marcadores de saúde.
Porém, o debate sobre os efeitos dos EDCs é controverso. Alguns estudos indicam riscos significativos, enquanto outros não veem problemas. Por isso, fica aquela dúvida: “é melhor prevenir do que remediar?”
Eliminar totalmente a exposição a esses químicos é bem complicado, já que eles estão em todo lugar. Produtos de higiene pessoal, alimentos e até a água podem ter EDCs. E a realidade é que a poeira das nossas casas também é um grande vilão, principalmente para bebês e crianças pequenas.
Além disso, é importante notar que comunidades de cor podem estar expostas a níveis mais altos de EDCs, muitas vezes porque os produtos voltados para elas contêm concentrações mais elevadas.
Para ajudar a reduzir essa exposição, a Friedman sugere mudanças simples, como trocar produtos de cuidados pessoais aos poucos ou instalar filtros de água. Existem bancos de dados online que podem ajudar na escolha de produtos mais seguros, como o SkinSafe e o Skin Deep.
O objetivo não é mudar tudo de uma vez, mas sim fazer escolhas mais informadas sobre o que usamos no dia a dia. Afinal, cuidar da nossa saúde é uma prioridade, e pequenas mudanças podem fazer uma grande diferença!