Na última quinta-feira (20), um caso trágico abalou Belo Horizonte: uma mulher de 40 anos foi presa sob a acusação de envenenar seus dois filhos. A filha mais velha, de 18 anos, faleceu no domingo (24), enquanto o filho mais novo, de 12 anos, permanece internado em estado grave. A Polícia Civil de Minas Gerais está conduzindo as investigações para esclarecer os detalhes do crime que chocou a comunidade local.
Os Primeiros Sinais
De acordo com informações da Polícia Civil, tudo começou após uma refeição preparada pela própria mãe, que incluía arroz, feijão, chuchu e frango. A suspeita alegou não ter comido, justificando sua abstinência com “falta de apetite”.
Horas depois, o filho mais novo começou a sentir fortes dores de cabeça, acompanhadas de suor excessivo. A gravidade da situação obrigou o pai da criança a levá-lo às pressas para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Venda Nova. Pouco tempo depois, a filha mais velha também começou a apresentar sintomas semelhantes e foi encaminhada ao mesmo local.
Envenenamento Confirmado
Na UPA, os médicos confirmaram que ambos os irmãos haviam sido envenenados. Dada a gravidade do caso, as vítimas foram transferidas para o Hospital de Pronto Socorro João XXIII. Apesar de todos os esforços da equipe médica, a jovem de 18 anos não resistiu e faleceu no domingo.
O corpo da jovem foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para realização da necropsia, que deve determinar com precisão a substância utilizada no envenenamento. Enquanto isso, o menino de 12 anos segue internado, lutando pela vida.
Prisão da Suspeita
Com a morte da filha mais velha, a Polícia Civil prendeu a mãe sob suspeita de homicídio e tentativa de homicídio. A mulher foi conduzida ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), onde prestou depoimento antes de ser encaminhada ao sistema prisional.
Durante o interrogatório, a suspeita teria negado qualquer envolvimento direto no envenenamento. No entanto, os indícios levantados pela investigação, incluindo o fato de ela não ter consumido a refeição, levantaram suspeitas sobre sua participação no caso.
Investigações em Curso
A perícia realizou inspeções detalhadas na residência da família e coletou amostras de alimentos e outros materiais para análise laboratorial. O objetivo é identificar a substância tóxica responsável pelos sintomas e verificar possíveis rastros que possam apontar a origem do veneno.
A Polícia Civil aguarda os resultados dos laudos técnicos e do exame do IML para avançar no esclarecimento do caso. Até o momento, as motivações do crime permanecem desconhecidas. Segundo fontes ligadas à investigação, a relação familiar será analisada para verificar possíveis históricos de conflito ou outros fatores que possam ter contribuído para o ocorrido.
Repercussão na Comunidade
O caso gerou comoção e indignação entre moradores da região de Venda Nova, onde a família residia. Vizinhos e conhecidos manifestaram surpresa e tristeza diante da tragédia, descrevendo a mãe como uma pessoa reservada, mas aparentemente dedicada aos filhos.
“É difícil acreditar que algo assim poderia acontecer. A gente sempre via as crianças brincando no quintal. Eles pareciam uma família normal”, comentou uma vizinha, ainda abalada.
Organizações locais e grupos comunitários se mobilizaram para oferecer apoio ao pai das crianças e ao menino hospitalizado. Psicólogos e assistentes sociais também foram acionados para prestar assistência às pessoas próximas à família.
Um Caso que Pede Respostas
A perda de uma vida jovem e a luta pela sobrevivência do menino de 12 anos trazem à tona questões sobre o impacto de eventos tão drásticos em uma família e na comunidade. Enquanto a investigação avança, o caso serve como um lembrete da importância de identificar sinais de alerta em ambientes domésticos e de garantir o apoio necessário a todas as partes envolvidas.
As respostas definitivas, no entanto, dependem dos próximos passos da investigação, que segue com o compromisso de esclarecer todas as circunstâncias e, se for o caso, levar os responsáveis à justiça.