O trágico ataque a tiros ocorrido na noite do último sábado (14/12), no bairro Prado Verdes, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, vitimou o funcionário da Globo, Jhonata Lima Almeida, de 30 anos. O jovem, que atuava como montador de cenografia nos Estúdios Globo, gravou um vídeo vestindo o uniforme da emissora pouco tempo antes de sua morte, compartilhando o momento em suas redes sociais.
Jhonata era um profissional dedicado e querido por colegas e amigos. Com mais de 12 anos de trabalho nos bastidores da emissora, ele era reconhecido pelo comprometimento e simpatia. Sua morte repentina deixou uma esposa e três filhos pequenos: Maria Eduarda, de 13 anos, Caio, de 11, e Alice, de 8. Segundo pessoas próximas, os pais de Jhonata haviam se mudado recentemente para os Estados Unidos, tentando escapar dos perigos recorrentes da violência urbana no Rio de Janeiro.
O ataque e as circunstâncias do crime
Na noite do ataque, cinco pessoas foram baleadas enquanto estavam em um bar no Prado Verdes. Três morreram ainda no local, entre elas Jhonata Lima Almeida, Leanderson Luiz Ferreira, de 39 anos, que era integrante da Marinha do Brasil, e Rodrigo Assis da Silva Junior, de 24 anos, conhecido pelo apelido “Jacaré”.
De acordo com testemunhas, o ataque teria sido motivado por uma confusão trágica. Antes do crime, um grupo de milicianos teria estado no bar e se sentado em uma das mesas. Logo após deixarem o local, as vítimas chegaram e acabaram ocupando o mesmo espaço. Minutos depois, homens armados passaram pelo estabelecimento disparando na direção da mesa, acreditando que o grupo ainda fosse composto pelos milicianos.
Os tiros também deixaram mais duas pessoas feridas. Uma delas foi socorrida e levada ao Hospital Municipal Rocha Faria, onde, segundo a Secretaria Municipal de Saúde do Rio, o estado de saúde é considerado estável. A outra vítima foi encaminhada ao Hospital Geral de Nova Iguaçu, mas não há informações detalhadas sobre sua recuperação.
As investigações em andamento
A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) assumiu o caso e já iniciou as investigações para esclarecer a autoria e a motivação do ataque. Em nota oficial, a Polícia Civil afirmou: “Diligências estão em andamento para apurar a autoria e a motivação do crime. A DHBF investiga as mortes de Leanderson Luiz Ferreira, Jhonata Lima Almeida e Rodrigo Assis da Silva Junior. Na ação criminosa, outros dois homens ficaram feridos.”
O episódio reacendeu debates sobre a insegurança crônica que assola a Baixada Fluminense, uma região historicamente marcada por confrontos armados e disputas territoriais. Em muitos casos, moradores inocentes acabam pagando o preço mais alto dessa violência, como foi o caso de Jhonata e dos demais.
O luto e as despedidas
A morte de Jhonata Lima Almeida abalou não apenas a família, mas também seus colegas de trabalho e amigos próximos. Descrito como alguém alegre, responsável e apaixonado pelo que fazia, ele era uma figura muito querida nos bastidores da Globo.
O sepultamento está marcado para esta segunda-feira (16/12), no Cemitério de Sulacap, onde familiares e amigos prestarão suas últimas homenagens. A esposa de Jhonata, em meio à dor, tem recebido apoio dos parentes e de toda a comunidade ao redor, que se solidarizam com a perda.
Um alerta necessário
A tragédia que levou a vida de Jhonata, assim como a de Leanderson e Rodrigo, evidencia o perigo constante enfrentado por quem vive em regiões afetadas pela violência urbana. O caso também reacende discussões sobre políticas públicas de segurança e a necessidade urgente de ações que garantam proteção efetiva aos cidadãos.
Enquanto a investigação segue seu curso, o luto e a comoção tomam conta de todos que conheciam Jhonata e as outras vítimas. Uma perda irreparável, marcada pela brutalidade de um ataque que jamais deveria ter acontecido.