Coração de turista atropelada por ônibus no Rio é doado e salva criança

A jornalista paraibana Priscila Marques Monteiro, de 27 anos, faleceu no dia 17 de dezembro, após nove dias internada devido a um atropelamento por um ônibus na Glória, Zona Sul do Rio de Janeiro. O acidente, ocorrido em 7 de dezembro, interrompeu uma viagem que marcava um momento especial de sua vida. Horas antes do trágico acontecimento, Priscila havia ligado para seu pai, Orton Monteiro, para compartilhar a felicidade de realizar um dos seus maiores sonhos: visitar o Cristo Redentor.

“Ela estava radiante. Me ligou por vídeo do hotel e disse que estava vendo o Cristo, algo que sempre quis fazer. Disse que ia tomar café antes de sair para explorar mais da cidade”, contou Orton à TV Globo, emocionado ao relembrar as últimas palavras da filha.

O acidente e a luta pela vida

O atropelamento aconteceu enquanto Priscila atravessava uma faixa de pedestres com uma bicicleta alugada. Segundo testemunhas, o ônibus teria avançado o sinal vermelho, atingindo a jovem. A colisão causou múltiplas fraturas e um grave traumatismo craniano. Priscila foi socorrida e levada ao Hospital Municipal Miguel Couto, onde permaneceu internada até ter a morte encefálica confirmada dias depois.

O caso chocou amigos, familiares e moradores da região, reacendendo debates sobre segurança no trânsito e respeito às sinalizações.

Um gesto de solidariedade em meio à dor

Mesmo diante de uma perda tão dolorosa, a família de Priscila encontrou forças para transformar o luto em esperança. Optaram pela doação de órgãos, um gesto que salvou a vida de outros pacientes.

O coração da jovem foi transplantado em uma criança, enquanto o fígado beneficiou outro paciente. “Priscila sempre foi uma pessoa muito generosa, humana. Era vegana, defensora dos animais e das causas sociais. Sabemos que ela ficaria feliz em ajudar outras pessoas mesmo após sua partida”, disse Orton Monteiro.

A atitude da família emocionou muitos e gerou uma onda de homenagens à jornalista. O corpo de Priscila foi sepultado em Campina Grande, sua cidade natal, onde amigos e familiares prestaram suas últimas despedidas. Para muitos, a memória de Priscila será eternamente marcada por sua alegria, empatia e comprometimento com a vida.

Investigações e repercussão

O motorista do ônibus envolvido no acidente foi ouvido pela 9ª Delegacia de Polícia (Catete) e liberado após prestar depoimento. A Secretaria Municipal de Transportes do Rio de Janeiro solicitou explicações ao consórcio responsável pelo veículo e cobrou medidas para evitar ocorrências semelhantes no futuro.

Por meio de nota, o RioÔnibus lamentou o ocorrido e informou que o caso está sendo acompanhado pelo Departamento Jurídico da empresa. O atropelamento levanta questionamentos sobre a necessidade de fiscalização mais rigorosa e melhorias no sistema de transporte público.

Reflexões sobre segurança e legado

Casos como o de Priscila não apenas causam tristeza, mas também nos fazem refletir sobre questões importantes, como a segurança de pedestres e ciclistas em cidades grandes. No Rio de Janeiro, um local que atrai turistas de todo o mundo, a infraestrutura urbana e a conduta dos motoristas precisam estar à altura da expectativa de quem visita a cidade.

O trágico episódio também destaca a importância da conscientização sobre doação de órgãos. A escolha da família de Priscila em doar seus órgãos transformou uma perda irreparável em novas chances de vida para outras pessoas. Um gesto que reflete a generosidade que a jovem carregava em vida.

Priscila Marques Monteiro, formada em jornalismo pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), deixa um legado de amor e humanidade. Sua trajetória foi interrompida precocemente, mas sua história inspira ações de bondade e solidariedade. A dor da perda é grande, mas, para aqueles que receberam o presente da vida graças à sua doação, Priscila será lembrada como um anjo que fez a diferença, mesmo em sua partida.



Recomendamos