Ludmilla perde processo em caso de racismo e se pronuncia: ‘Nunca desistirei’

Na terça-feira (24), Ludmilla usou suas redes sociais para falar sobre a decisão da Justiça que absolveu Marcão do Povo, o apresentador que a ofendeu com injúrias raciais em 2017. A cantora ficou indignada com a sentença do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e, através de seus Stories, agradeceu aos fãs pelo apoio e pela mobilização nas redes. A hashtag “Justiça por Ludmilla” foi parar nos trending topics do X, como se a galera estivesse unida de verdade em defesa da artista.

“Quero muito agradecer a todos que me deram força nesse momento. Meus advogados vão recorrer dessa decisão, e eu nunca vou desistir dessa luta”, disse a cantora em seu pronunciamento. Ela também agradeceu pelo carinho que recebeu dos fãs, mostrando que, mesmo com essa decisão negativa, ela não vai abandonar o caso tão fácil.

Quem não lembra da polêmica que aconteceu em 2017? Marcão do Povo, na época apresentador do programa Balanço Geral DF, chamou a cantora de “pobre macaca” ao vivo, durante a transmissão do programa. Ele comentou sobre uma história em que Ludmilla teria evitado tirar fotos com fãs. Na ocasião, ele fez um comentário completamente racista e desrespeitoso, dizendo: “Era pobre e macaca, pobre, mas pobre mesmo. Sempre falo, eu era pobre e macaco também”. A fala deixou todo mundo chocado e indignado.

O apresentador acabou sendo demitido da Record logo depois do episódio, mas o caso continuou gerando repercussão. Em 2023, Marcão foi inocentado em primeira instância, mas o Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDFT) reverteu a decisão e o condenou a um ano e quatro meses de prisão, além de uma indenização de R$ 30 mil para Ludmilla. Parecia que a Justiça estava finalmente começando a funcionar, mas em seguida, ele recorreu da decisão.

Em uma reviravolta, o STJ acabou absolvendo Marcão, alegando que a condenação anterior foi baseada em um vídeo editado, o que levou à decisão de que ele não deveria ser punido pela fala racista. A ministra Daniela Teixeira foi a responsável por essa análise e, ao que parece, o vídeo editado influenciou bastante a reviravolta no caso. O fato de o caso ter sido arquivado dessa forma, sem o reconhecimento da ofensa, pegou muita gente de surpresa e deixou uma sensação de impunidade para quem comete crimes desse tipo.

Diante disso, os advogados de Ludmilla, claro, não deixaram barato. Eles anunciaram que vão recorrer ao STJ novamente, no começo do ano. A esperança é que o colegiado reveja a decisão e finalmente puna Marcão pelo que fez. Em uma nota oficial, os advogados disseram que estão confiantes de que a Justiça ainda vai corrigir esse erro. “A conduta do acusado foi criminosa e preconceituosa, e precisamos evitar que esse tipo de retrocesso aconteça na luta contra o racismo no Brasil”, afirmaram.

É complicado, né? Quando a gente pensa que está vendo um avanço no combate ao racismo, algo assim acontece e a sensação é que estamos retrocedendo. Ludmilla tem o apoio de uma legião de fãs, e, mesmo com os contratempos, ela não vai deixar esse caso cair no esquecimento. Ela se mostra cada vez mais firme nessa luta e, com certeza, vai continuar buscando justiça, não só para ela, mas para todos que já passaram por situações parecidas. Esse caso, por mais que a decisão tenha sido frustrante, traz à tona a necessidade de seguir falando sobre racismo e de lutar para que as coisas realmente mudem.



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