A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu o inquérito sobre o assassinato brutal dos empresários Pedro Ramiro de Souza, de 47 anos, e Susimara Gonçalves de Souza, de 42. O principal suspeito do crime é o próprio filho da vítima, Walter Gonçalves, de 24 anos, que foi indiciado e teve a prisão preventiva decretada. O caso, que chocou a cidade de Itajaí, no Litoral Norte do estado, ocorreu em novembro do ano passado.
O delegado Roney Péricles, responsável pela investigação, afirmou que a motivação do crime foi financeira. Segundo a polícia, Walter planejou a morte da mãe e do padrasto para ficar com a herança e assumir o controle da empresa de forro e decoração de interiores que pertencia ao casal.
Execução Fria e Planejada
As imagens das câmeras de segurança das proximidades ajudaram a esclarecer o passo a passo do crime. Walter e um comparsa chegaram ao local de bicicleta mais de duas horas antes do retorno das vítimas para casa. No entanto, um dos envolvidos deixou uma motocicleta estacionada a cerca de dois quilômetros da residência, o que indica que a fuga já havia sido planejada.
Vestidos de forma a dificultar a identificação — um usando capacete e capa de chuva e o outro de boné —, os criminosos conseguiram acessar o imóvel utilizando um controle remoto. Lá, aguardaram pacientemente a chegada do casal, que havia saído para jantar, cantar em um karaokê e passar em uma lanchonete antes de retornar à residência, por volta de 0h53.
Pouco depois da entrada de Pedro e Susimara, um grito de surpresa da mulher foi registrado pelas câmeras da casa vizinha. O casal foi imobilizado, amarrado e amordaçado no pátio da residência, onde foi brutalmente assassinado. Os criminosos permaneceram no local por mais de uma hora antes de saírem pelo mesmo portão, novamente acionando o controle remoto.
O Próprio Filho Chamou os Bombeiros
No dia seguinte ao crime, Walter acionou os bombeiros e disse ter encontrado os corpos da mãe e do padrasto. Em um comportamento que intrigou os investigadores, ele também fez uma publicação nas redes sociais lamentando a morte dos dois.

“Irei amar vocês para sempre, meus amores”, escreveu o jovem na legenda de uma foto do casal.
Apesar de Pedro ser padrasto de Walter, o rapaz se referia a ele como “pai”, o que, segundo a polícia, ajudava a manter a aparência de uma relação afetuosa.
Investigação em Andamento
Além da prisão preventiva de Walter, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão em dois endereços ligados a ele. Durante a operação, foram recolhidos celulares, computadores e roupas que podem ajudar a esclarecer mais detalhes sobre o crime.
O próximo passo da investigação é identificar e localizar o comparsa de Walter. A polícia também analisa os materiais apreendidos para verificar se há mais pessoas envolvidas no planejamento e execução do duplo homicídio.
“As demais circunstâncias e a identificação dos envolvidos serão melhor esclarecidas com a análise dos aparelhos telefônicos apreendidos”, destacou a Polícia Civil em nota oficial.
O caso continua a repercutir na cidade de Itajaí, deixando a população perplexa com a frieza do crime. Para amigos e familiares das vítimas, resta a dor da perda e a expectativa de que todos os responsáveis sejam levados à justiça.