Na última sexta-feira (31), Maria dos Aflitos foi presa temporariamente sob suspeita de envolvimento no caso que chocou o Piauí: o baião de dois envenenado. O crime resultou na morte de seis pessoas da mesma família, incluindo a filha de Maria, Francisca Maria da Silva, e três netos.
A Polícia Civil, em nota divulgada pela Rede Clube, emissora afiliada da Globo, informou que os detalhes da investigação só serão compartilhados após a conclusão do inquérito. “O sigilo das investigações é essencial para garantir a precisão e a efetividade do trabalho policial”, afirmou a corporação.
Enquanto isso, outros familiares também foram conduzidos à delegacia para prestar depoimentos, e Francisco de Assis Pereira da Costa, marido de Maria, permanece preso desde o dia 8 de janeiro como principal suspeito do crime.
O papel de Francisco no caso
Francisco, que negou envolvimento no envenenamento, admitiu sentir “nojo e raiva” de sua enteada, Francisca Maria, e confessou que não gostava dos filhos dela. Apesar disso, ele também foi hospitalizado junto com os demais familiares após a ceia de Réveillon, apresentando sintomas de intoxicação. No entanto, ao contrário das outras vítimas, ele recebeu alta no mesmo dia.
As autoridades suspeitam que Francisco não ingeriu o baião de dois contaminado. Há indícios de que ele apenas fingiu comer o prato ou consumiu uma quantidade mínima, insuficiente para causar danos graves. Para esclarecer essa questão, foram realizados exames de sangue e urina, cujo laudo já está pronto, mas os resultados permanecem sob sigilo enquanto o inquérito está em andamento.
A tragédia: como tudo aconteceu
O crime ocorreu no dia 1º de janeiro de 2025, durante uma ceia de Réveillon. Nove pessoas da mesma família ingeriram um baião de dois envenenado com uma substância tóxica semelhante ao chumbinho. A comida, que deveria simbolizar união e prosperidade para o novo ano, acabou se tornando a causa de uma das maiores tragédias familiares já registradas na região.
Até agora, seis vítimas já faleceram. As mortes incluem crianças pequenas, como Igno Davi da Silva, de apenas 1 ano e 8 meses, e Maria Gabriela da Silva, de 4 anos. Além delas, perderam a vida Manoel Leandro da Silva (18 anos), Lauane da Silva (3 anos), Francisca Maria da Silva (32 anos) e Maria Jocilene da Silva (também de 32 anos).
Maria Jocilene, nora de Maria dos Aflitos, foi uma das últimas vítimas a falecer. Após receber alta inicialmente, ela passou mal novamente cerca de 20 dias depois e precisou ser internada. No dia 24 de janeiro, enquanto visitava a casa onde tudo aconteceu, teve um mal-estar e foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas não resistiu.
Das nove pessoas que ingeriram o alimento, apenas duas sobreviveram: uma adolescente de 17 anos e um menino de 11, filho de Maria Jocilene e Francisco.
O que se sabe até agora
Maria dos Aflitos não consumiu o baião de dois envenenado, o que levantou suspeitas sobre seu envolvimento no crime. Sua prisão temporária visa esclarecer se ela teve alguma participação ou conhecimento prévio do ato.
Enquanto isso, o caso continua em investigação, cercado de sigilo. A Polícia Civil busca entender os detalhes e a motivação por trás do crime, que devastou uma família inteira e causou comoção nacional.
Reflexões sobre o caso
O episódio levanta discussões importantes sobre questões como violência doméstica, relações familiares conflituosas e até mesmo o uso de substâncias tóxicas em crimes. Além disso, a tragédia deixa uma marca profunda na comunidade local e serve como um alerta sobre a importância de investigar possíveis sinais de conflitos que, em última instância, podem culminar em tragédias como essa.
Enquanto aguardamos o desfecho da investigação, uma coisa é certa: o caso do baião de dois envenenado será lembrado por muito tempo, tanto pelo impacto nas vítimas quanto pelo mistério que ainda envolve seus detalhes.