A Polícia Civil do Pará prendeu nesta segunda-feira (02) o lutador de MMA Yago Roger Barreira da Costa, principal suspeito do assassinato da influenciadora digital e mulher transexual Paola Brattcho. O crime, que chocou a população paraense, aconteceu na noite da última sexta-feira (28) em um motel localizado no bairro Águas Lindas, em Ananindeua, região metropolitana de Belém.
O que aconteceu?
Segundo as investigações, Paola Brattcho foi encontrada morta dentro do quarto do motel com diversas marcas de facadas. Testemunhas relataram que Yago chegou ao local antes da vítima e permaneceu no quarto aguardando sua chegada. Cerca de 30 minutos depois, vizinhos ouviram gritos de socorro da influenciadora, que teria clamado por ajuda e dito que o suspeito queria matá-la. Logo em seguida, o local ficou em silêncio.
Minutos depois do crime, foi o próprio Yago quem ligou para a recepção do motel pedindo ajuda. Quando a equipe do estabelecimento chegou ao quarto, encontrou Paola já sem vida e o lutador ferido. O caso foi imediatamente comunicado à Polícia Civil, que iniciou as diligências para entender o que havia ocorrido.
Tentativa de fuga e prisão
Após o ocorrido, Yago Roger foi encaminhado ao Hospital Metropolitano de Belém para receber atendimento médico devido aos ferimentos que teria sofrido durante a briga. No entanto, pouco tempo depois, ele solicitou uma transferência para um hospital particular e, antes que pudesse ser detido pelas autoridades, fugiu da unidade de saúde.
A fuga mobilizou as forças de segurança do estado. Durante as buscas, os investigadores descobriram que o suspeito havia se escondido na casa de um tio, também em Ananindeua. Com a operação sendo conduzida pelo Núcleo de Inteligência Policial (NIP) e pela Delegacia de Feminicídio (Defem), as autoridades conseguiram localizá-lo e efetuar a prisão ainda em flagrante.
Walter Resende, delegado-geral da Polícia Civil do Pará, destacou o empenho das equipes para capturar o suspeito o mais rápido possível. “Após identificarmos que o suspeito estava foragido, nossas equipes da Delegacia de Feminicídio e do Núcleo de Inteligência Policial iniciaram diligências de forma ininterrupta para localizá-lo e efetuar sua prisão”, afirmou.
Repercussão e indignação nas redes sociais
A morte de Paola Brattcho gerou grande comoção nas redes sociais, especialmente entre ativistas e influenciadores digitais que acompanhavam seu trabalho. Paola era conhecida por sua presença marcante na internet e pelo engajamento em causas sociais voltadas à comunidade LGBTQIA+. Amigos e seguidores lamentaram a tragédia e cobraram justiça pelo crime brutal.
“É revoltante ver mais uma mulher trans sendo vítima de violência extrema. Até quando vamos viver com medo?”, escreveu uma seguidora no Instagram.
Diversas organizações que atuam na defesa dos direitos humanos também se manifestaram, ressaltando a importância de combater a transfobia e exigir investigações rigorosas sobre o caso.
Violência contra mulheres trans no Brasil
O assassinato de Paola Brattcho reacende o debate sobre a violência contra pessoas trans no Brasil. De acordo com dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), o país continua sendo um dos mais perigosos do mundo para essa população. Em 2023, o Brasil liderou pelo 15º ano consecutivo o ranking de homicídios de pessoas trans e travestis, com números alarmantes que evidenciam a necessidade de medidas mais eficazes para combater esse tipo de crime.
A transfobia, muitas vezes normalizada na sociedade, resulta em agressões, exclusão social e, em casos extremos, assassinatos como o de Paola. Especialistas alertam que a impunidade acaba sendo um dos fatores que perpetuam esse ciclo de violência.
Próximos passos da investigação
Com a prisão de Yago Roger, a Polícia Civil dará continuidade às investigações para esclarecer todos os detalhes do crime. O lutador deve passar por audiência de custódia nos próximos dias, e a expectativa é que ele responda pelo crime de feminicídio, com agravantes como impossibilidade de defesa da vítima.
O caso segue sob sigilo, mas a Delegacia de Feminicídio garantiu que todas as circunstâncias do assassinato serão apuradas para que a justiça seja feita. Enquanto isso, familiares, amigos e seguidores de Paola Brattcho aguardam respostas e esperam que o crime não fique impune.