A jornalista Rachel Sheherazade voltou a causar barulho nas redes sociais ao trazer à tona uma contradição que, para muita gente, passou despercebida ou foi convenientemente esquecida. Em um momento em que o debate político anda cada vez mais emocional e raso, ela resolveu puxar um fio antigo e mostrou que certas opiniões não somem com o tempo, apenas ficam escondidas até alguém lembrar de procurar.
Usando o X, antigo Twitter, Rachel resgatou uma publicação feita em 2017 pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), hoje também candidato à Presidência do Brasil. Na época, o político fez uma enquete que chocou até parte de seus próprios seguidores. No post, ele questionava se as pessoas seriam a favor da criação de cemitérios ao lado das carceragens da Polícia Federal, com a justificativa de que isso reduziria os gastos do Estado com o transporte de corpos de presos que morressem na cadeia. Uma fala dura, fria e, para muitos, completamente desumana.
O detalhe que chamou atenção agora é o contexto. Atualmente, o discurso de Flávio mudou de tom, especialmente depois que seu pai passou a enfrentar problemas sérios de saúde enquanto lida com decisões judiciais. De repente, palavras como empatia, cuidado médico e respeito à condição humana começaram a aparecer com mais frequência. Foi justamente essa virada que Rachel resolveu expor.
Na enquete feita em 2017, cerca de 96% dos participantes votaram a favor da ideia levantada por Flávio, enquanto apenas 4% se posicionaram contra. Ao todo, a votação reuniu 3.406 votos, um número considerável para a época. O post ficou lá, esquecido no tempo, mas não apagado. E como a internet não perdoa, alguém sempre acaba achando.
Ao compartilhar a publicação antiga, Rachel Sheherazade foi direta, mas sem floreios excessivos. “O problema dos políticos brasileiros é a falta de empatia com o próximo”, escreveu ela. Em seguida, criticou o incentivo à violência, à tortura e ao desprezo pelos Direitos Humanos, afirmando que esse tipo de discurso é um atalho perigoso para a barbárie. Para completar, ainda provocou dizendo que talvez, ao sentir na própria pele a dor que tantos presos sentem, esse tipo de gente passe a pensar diferente. E fez questão de frisar: o post era de 2017.
A reação nas redes foi imediata. Teve gente aplaudindo a jornalista, dizendo que ela apenas mostrou fatos, sem inventar nada. Outros, claro, acusaram Rachel de oportunismo, dizendo que o contexto era outro e que as falas foram tiradas de época. Mas a verdade é que o print está lá, com data, texto e números. Não é opinião, é registro.
Vale lembrar também que, recentemente, após sofrer um traumatismo craniano, Bolsonaro teve sua volta à prisão em Brasília determinada por ordem de Alexandre de Moraes. A decisão se baseou em laudos médicos que, segundo o ministro, apontaram que o ex-presidente apresentava boa condição física e poderia retornar ao local sem riscos imediatos à saúde. Esse ponto só aumentou o debate sobre seletividade na empatia e no discurso.
No fim das contas, o episódio escancara algo maior do que uma simples troca de farpas entre uma jornalista e um político. Ele mostra como discursos mudam conforme o lado em que a dor aperta. Quando o problema é do outro, endurecimento. Quando bate à porta de casa, compreensão. E a internet, goste-se ou não, continua sendo esse grande arquivo público onde o passado sempre pode voltar pra cobrar coerência.
O problema dos políticos brasileiros é a falta de empatia com o próximo. Pregar o recrudescimento da violência, a tortura e o fim dos Direitos Humanos é atalho para a barbárie. Espero que ao sentir a dor dos presos na própria pele, essa gente melhore. O post abaixo data de 2017. pic.twitter.com/GrHzA7YMJg
— Rachel Sheherazade (@RachelSherazade) January 7, 2026