Convocação de Iván Mordisco: Uma Nova Aliança Contra o Intervencionismo dos EUA
No cenário geopolítico atual, a América Latina tem sido palco de tensões e conflitos, especialmente com a presença dos Estados Unidos. Recentemente, o líder de um dos maiores grupos dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), conhecido como Nestor Gregorio Vera ou Iván Mordisco, fez uma convocação significativa a outros grupos rebeldes. Ele pediu que se unissem para enfrentar o que ele chama de ‘intervencionismo’ norte-americano, em um vídeo que foi autenticado pelo grupo na última sexta-feira, dia 9.
O Contexto da Convocação
A mensagem de Iván Mordisco surge em um momento delicado, logo após uma ação militar dos EUA na Venezuela, que culminou na captura de Nicolás Maduro, o presidente em exercício. A ação militar dos EUA não só abalou a Venezuela, mas também acendeu um alerta em outras nações da região, especialmente na Colômbia, onde a história de conflitos armados é longa e complicada.
Durante o vídeo, que foi amplamente divulgado e analisado por especialistas, Vera aparece vestido em trajes de camuflagem, acompanhado por dois guerrilheiros armados. Ele enfatiza a necessidade de união, mencionando: “A sombra da águia intervencionista paira sobre todos igualmente. Pedimos que deixem de lado essas diferenças”. Essa declaração não apenas reflete uma tentativa de solidariedade entre grupos rebeldes, mas também uma estratégia de resistência frente à influência dos EUA.
As Relações entre Colômbia e EUA
As relações entre a Colômbia e os Estados Unidos sempre foram complexas, marcadas por uma mistura de cooperação e conflito. O presidente colombiano, Gustavo Petro, que tem um passado guerrilheiro e prometeu trazer paz ao país após anos de violência, está programado para se encontrar com o presidente americano, Donald Trump, em Washington no próximo mês, em fevereiro. Essa reunião, que ocorre após Trump ter feito ameaças de ação militar contra a Colômbia, adiciona mais um nível de tensão ao já complicado cenário político.
Trump, que frequentemente critica a administração de Petro, alega, sem apresentar evidências concretas, que o governo colombiano tem permitido um aumento no tráfico de cocaína para os Estados Unidos. Em outubro, o presidente americano impôs sanções ao líder colombiano, o que só aumenta as divisões entre os dois países.
A Resposta de Vera e as Implicações para a Região
Na mesma mensagem, Vera fez um apelo direto a outros grupos insurgentes, como o Exército de Libertação Nacional (ELN) e a Segunda Marquetalia, para que se unissem em um grande esforço coletivo. Ele afirmou: “O destino está nos chamando para nos unirmos. Não somos forças dispersas, somos herdeiros da mesma causa”. Essa afirmação ressalta a importância da unidade na luta contra o que eles percebem como uma ameaça comum.
Embora a convocação tenha despertado interesse e preocupações, é importante notar que Vera não incluiu o segundo maior grupo dissidente das Farc, conhecido como Estado-Maior Central, que se separou em 2024. Isso levanta questões sobre a coesão e a verdadeira força da proposta de união entre os grupos rebeldes.
O Impacto das Atividades Criminosas
É crucial entender que os grupos aos quais Vera está chamando para se unir têm um histórico de atividades criminosas, incluindo tráfico de drogas e mineração ilegal de ouro. Com mais de 11 mil membros combinados, a capacidade desses grupos de impactar a segurança regional e a estabilidade da Colômbia não pode ser subestimada.
Esse cenário nos leva a refletir sobre o futuro da região. As ações dos EUA, combinadas com a resposta dos grupos rebeldes, podem criar um ciclo vicioso de violência e instabilidade, afetando não apenas a Colômbia, mas toda a América Latina. A luta por poder e influência entre os Estados Unidos e as forças insurgentes pode ter consequências profundas e duradouras para a população civil.
Conclusão
À medida que a situação se desenrola, é vital permanecer atento às dinâmicas políticas e sociais que estão em jogo. A convocação de Iván Mordisco é um lembrete de que, em tempos de crise, a unidade entre aqueles que compartilham uma causa comum pode ser uma força poderosa. Entretanto, as implicações desta união precisam ser cuidadosamente analisadas, pois o futuro da Colômbia e de seus vizinhos depende da forma como esses conflitos são geridos.