A Polícia Civil de Mato Grosso segue investigando um crime que chocou moradores de Sinop, no norte do estado. A jovem Larissa da Silva Nunes, de apenas 19 anos, foi encontrada morta na tarde de quinta-feira (15), em uma vala usada como lixão, próxima ao bairro Jardim América. O local é conhecido por descarte irregular de lixo e raramente recebe movimento no fim do dia, o que pode ter facilitado a ação dos criminosos.
Segundo informações repassadas pelas autoridades, moradores da região estranharam a presença de um corpo no local e acionaram a polícia por volta das 17h. Quando a Polícia Militar chegou, a cena era forte. Larissa estava com as mãos e os pés amarrados por cordas e a boca tampada com um pano, o que levantou imediatamente a suspeita de execução. Não havia sinais de luta no entorno, indicando que ela pode ter sido levada até ali já sem chance de reação.
O Corpo de Bombeiros foi chamado para retirar o corpo da vala, que tinha certa profundidade e acumulava resíduos. Em seguida, o cadáver foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML). A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) confirmou a identidade da vítima e apontou que o corpo já apresentava sinais compatíveis com morte ocorrida horas antes, embora a causa exata ainda dependa de laudos complementares.
Durante as investigações iniciais, a polícia descobriu que Larissa havia saído de casa na terça-feira (13). À família, ela disse que iria até a Penitenciária Ferrugem, em Sinop, para visitar um reeducando. Depois disso, não deu mais notícias. O silêncio repentino já preocupava parentes, que tentaram contato por mensagens e ligações, sem sucesso.
O delegado Braúlio Junqueira, responsável pelo caso, confirmou que a jovem teve a morte “decretada” por uma facção criminosa. De acordo com ele, o Comando Vermelho (CV), com atuação na região de Cáceres, teria ordenado a execução. Larissa teria tentado se esconder em Sinop, mas acabou localizada e morta.
“Ela veio de Cáceres, foi decretada pelo Comando Vermelho e acabou assassinada aqui”, afirmou o delegado em entrevista ao portal Leiagora. A polícia também revelou que a jovem era conhecida pelo apelido de “Japinha do CV”, o que pode indicar algum tipo de vínculo com a facção ou, ao menos, envolvimento indireto com pessoas ligadas ao grupo criminoso.
Os investigadores trabalham com a hipótese de que Larissa tenha sido submetida a um chamado “tribunal do crime”, prática comum entre facções para punir supostas traições, dívidas ou descumprimento de regras internas. Esse tipo de julgamento clandestino, infelizmente, tem se tornado cada vez mais frequente em cidades do interior, longe dos grandes centros.
A Polícia Civil de Sinop já iniciou diligências, colhe depoimentos e tenta identificar quem participou da execução e quem deu apoio logístico. Até agora, ninguém foi preso. As autoridades também apuram se membros do CV que atuam na região facilitaram o crime ou se houve participação de faccionados vindos de fora.
O caso reacende o alerta sobre o avanço das facções criminosas em Mato Grosso, especialmente em municípios estratégicos como Sinop. Nos últimos meses, disputas entre CV e PCC têm refletido no aumento de homicídios e execuções, assustando moradores e pressionando as forças de segurança. Enquanto isso, a família de Larissa aguarda respostas e justiça, em meio à dor e à revolta.
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