Justiça de SC suspende lei que proibia cotas em universidades estaduais

Decisão do TJ-SC Suspende Lei que Proíbe Adoção de Cotas em Universidades

Recentemente, uma importante decisão foi tomada pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC). O tribunal concedeu uma liminar que suspende os efeitos de uma lei estadual que havia sido criada para proibir a adoção de cotas raciais e outras ações afirmativas em instituições de ensino superior públicas ou que recebem recursos públicos no estado. Essa decisão é fruto de uma ação direta de inconstitucionalidade apresentada pelo diretório estadual do PSOL e ainda deverá passar pelo referendo do Órgão Especial da Corte.

Contexto da Lei Proibitiva

A norma em questão, que entrava em vigor no dia 22 de janeiro, tinha como objetivo barrar políticas que visam promover a inclusão de grupos historicamente marginalizados nas universidades. Ela não apenas proibia a adoção de cotas raciais para o ingresso de alunos, mas também impedia ações afirmativas na contratação de docentes e servidores. Além disso, a legislação impunha sanções administrativas severas, que incluíam a nulidade de certames, responsabilização de agentes públicos e até mesmo o corte de repasses financeiros às instituições afetadas.

A Decisão da Desembargadora

A desembargadora que relatou o caso, Maria do Rocio Luz Santa Rita, apontou que estavam presentes os requisitos para a concessão da medida cautelar. Ela destacou a plausibilidade jurídica das alegações apresentadas e o risco de dano irreparável ou de difícil reversão. Segundo a magistrada, a manutenção da lei, ainda que por um período curto, poderia causar efeitos concretos imediatos, especialmente com o início do ano acadêmico, comprometendo a organização administrativa das universidades.

Possíveis Inconstitucionalidades

Na análise preliminar do mérito, a relatora identificou uma possível inconstitucionalidade material da norma. Essa inconstitucionalidade se daria pela afronta a princípios constitucionais fundamentais, como a igualdade material, o direito à educação, a autonomia das universidades e a luta contra o racismo. Além disso, também foi levantada uma possível inconstitucionalidade formal, já que a lei de iniciativa parlamentar criou sanções administrativas e disciplinares que deveriam ser de iniciativa exclusiva do Poder Executivo.

Impactos da Decisão

Com a liminar já deferida, os efeitos da lei ficam suspensos até que ocorra o julgamento definitivo da ação. Essa é uma vitória significativa para defensores das políticas de ação afirmativa, que acreditam que tais medidas são essenciais para garantir a igualdade de oportunidades no acesso ao ensino superior.

Próximos Passos

O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), e o presidente da Assembleia Legislativa, Julio Garcia (PSD), foram notificados e devem prestar informações sobre o caso no prazo de 30 dias. Após isso, o processo será enviado ao Procurador-Geral do Estado e à Procuradoria-Geral de Justiça para que se manifestem sobre a questão. Essa movimentação demonstra a seriedade com que a Justiça está tratando o tema das cotas e da inclusão nas universidades.

Considerações Finais

A decisão do TJ-SC pode ter um impacto duradouro sobre o futuro das políticas de ação afirmativa em Santa Catarina e, possivelmente, em outros estados do Brasil. É fundamental que o debate sobre a inclusão no ensino superior continue, pois ele é essencial para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. A luta por direitos iguais deve ser uma prioridade, e decisões como essa mostram que há um caminho a ser seguido. O que se espera agora é que essa situação se resolva de maneira a favorecer a todos, garantindo que as oportunidades sejam verdadeiramente acessíveis para todos os cidadãos.



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