Gestão Nunes recorre ao STF para liberar som alto em shows na cidade de SP

Prefeitura de São Paulo busca reverter lei sobre poluição sonora em grandes eventos

No dia 13 de janeiro, a gestão do prefeito Ricardo Nunes, que pertence ao MDB, tomou uma medida importante: recorreu ao STF, o Supremo Tribunal Federal. O objetivo? Tentar reverter a decisão que declarou inconstitucional a flexibilização dos limites sonoros para grandes shows na capital paulista. Essa situação gerou um debate significativo entre os cidadãos e autoridades locais.

A Lei e Seu Contexto

A lei em questão foi aprovada em dezembro de 2024 e tinha como premissa principal colocar os eventos autorizados pela Prefeitura de São Paulo como exceções dentro do Psiu, que é o Programa do Silêncio Urbano. Essa iniciativa é da Prefeitura e visa combater a poluição sonora, além de fiscalizar os ruídos excessivos que incomodam a população.

O projeto legislativo começou com um foco diferente. Inicialmente, seu propósito era a expansão de um aterro sanitário no bairro de São Mateus, que faz parte da zona leste da cidade. No entanto, o que era para ser uma discussão sobre questões ambientais rapidamente se transformou em uma questão de direitos e de qualidade de vida para os cidadãos que residem nas proximidades de locais onde grandes eventos são realizados.

O Jabuti na Legislação

Um ponto controverso no processo foi a inserção do limite de ruídos para casas de shows e estádios de futebol, que foi colocado no texto como um “jabuti”. Para quem não está familiarizado com o termo, “jabuti” é utilizado na linguagem legislativa para se referir a emendas ou normas que são adicionadas a um projeto que, à primeira vista, não têm relação com o assunto principal. Essa manobra normalmente levanta questões sobre a transparência e a ética no processo legislativo.

Decisão Judicial e Repercussões

Em setembro de 2025, a desembargadora Marcia Dalla Déa Barone fez uma análise da situação e declarou o trecho que flexibilizava a legislação como inconstitucional. A desembargadora argumentou que a emenda foi inserida sem qualquer respaldo técnico ou estudo urbanístico que pudesse validá-la. Isso gerou um alvoroço na cidade, com diversos setores se manifestando sobre a decisão.

Posicionamento da Prefeitura

Em resposta a essa situação, a Prefeitura de São Paulo divulgou uma nota, onde afirmou que a anulação da lei representa uma interferência indevida na autonomia legislativa do Município. Além disso, a nota ressaltou que essa ação afronta princípios constitucionais fundamentais, como a separação dos Poderes e o pacto federativo, que são pilares da nossa democracia.

A questão é complexa e envolve não apenas a gestão do som em eventos, mas também a qualidade de vida dos moradores que vivem em áreas afetadas por barulho excessivo. Por um lado, temos a necessidade de promover eventos culturais e de entretenimento, que são essenciais para a economia e a vida social da cidade. Por outro lado, é preciso garantir que esses eventos não comprometam o bem-estar da população local.

A Ação do Ministério Público

O Ministério Público, que é o responsável por mover a ação contra a flexibilização da lei, também se manifestou sobre o assunto. Em comunicado à CNN Brasil, informou que apresentou suas contrarrazões ao Recurso Extraordinário no dia 22 de dezembro de 2025. Neste momento, o MP aguarda o envio dessa manifestação pelo Tribunal de Justiça ao STF. Isso significa que a batalha legal ainda está longe de acabar.

Reflexão Final

Esse episódio é um exemplo claro do dilema que muitas cidades enfrentam: como equilibrar o desenvolvimento econômico, promovendo eventos que atraem turistas e movimentam a economia, sem deixar de lado a qualidade de vida dos cidadãos. É uma discussão que merece atenção e que deve ser conduzida com respeito às vozes de todos os envolvidos.



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