A Polêmica Aliança entre Gonet e o STF no Caso Master
Nos últimos dias, a relação entre o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o Supremo Tribunal Federal (STF) tem gerado uma série de discussões acaloradas. A CNN, em conversas com diversos procuradores da República, percebeu que muitos deles enxergam Gonet como alguém que está “fechado” com o STF, especialmente quando se trata de proteger o ministro Dias Toffoli em meio às investigações do caso Master.
O Rejeição do Pedido de Investigação
Há cerca de duas semanas, a CNN trouxe à tona que Gonet havia rejeitado um pedido da oposição. O pedido era para investigar a suspeição de Toffoli, que viajou em um jatinho junto com o advogado de um executivo do Master. Essa situação levantou muitas dúvidas e discussões sobre a ética e a imparcialidade dos membros do STF. Desde então, novos pedidos foram apresentados, especialmente após a revelação de que familiares de Toffoli receberam dinheiro do Master para a compra de um resort que ele costuma frequentar.
A Inércia do Ministério Público Federal
Um dos pedidos, feito pelo senador Eduardo Girão, está parado há duas semanas sem qualquer sinal de decisão por parte de Gonet. Essa paralisia é vista como problemática por muitos procuradores que estão dentro do Ministério Público Federal (MPF). Existe um consenso de que Gonet está alinhado com o STF para proteger Toffoli, o que tem causado desconforto entre os procuradores, que se sentem impotentes diante dessa situação.
Reflexões sobre o Passado e o Presente
Os procuradores comentam que Gonet parece querer evitar repetir o que Rodrigo Janot fez durante a operação Lava Jato. Naquela época, Janot pediu a suspeição do ministro Gilmar Mendes, que estava envolvido em uma controvérsia com o empresário Jacob Barata. Esse pedido resultou em um rompimento entre a Procuradoria-Geral da República e o STF, sem que houvesse qualquer consequência efetiva. Gilmar Mendes permaneceu no STF, enquanto Janot acabou saindo do cargo e caindo no esquecimento.
A Lição Aprendida
Esse episódio é visto como uma lição para a atual gestão da PGR. A percepção é de que o STF não está preparado para lidar com esses pedidos e que, ao mesmo tempo que se posiciona como um guardião da democracia, a Corte não se isenta de ser questionada quanto às suas ações e decisões, especialmente em casos polêmicos como o Master.
O Dilema de Gonet
Os procuradores acreditam que a situação enfrentada por Gonet é bastante complicada. Se ele decidir pedir a suspeição de Toffoli, a opinião pública e a maioria dos procuradores podem aplaudir essa decisão. Contudo, essa atitude poderia criar um rompimento com o STF, o que inviabilizaria sua gestão. Um procurador influente, que preferiu não se identificar, comentou que a conduta de Gonet nesse caso é “decepcionante” e que a credibilidade do STF está em uma fase crítica.
O Escudo do STF e a Questão do Lavajatismo
Além disso, muitos procuradores expressam descontentamento com a forma como o STF se comporta, como se estivesse imune a críticas, mesmo tendo tomado decisões controvertidas em relação ao governo bolsonarista. Eles argumentam que salvar a democracia não significa que o STF não possa ser questionado sobre a conduta de seus ministros, especialmente no contexto do caso Master.
O Medo do Estigma
Outro ponto que merece destaque é o receio que muitos procuradores possuem de serem rotulados como “lava-jatistas”. Essa é uma etiqueta negativa que ainda pesa sobre a categoria e que, segundo seus representantes, inibe qualquer iniciativa mais investigativa que a PGR queira adotar. Essa discussão é intensa e reflete a complexidade do cenário político atual.
Conclusão
A PGR, por sua vez, se defende dizendo que o caso está sendo analisado cuidadosamente e que todas as solicitações são tratadas com a mesma seriedade. O arquivamento dos pedidos de suspeição é justificado pela semelhança entre eles, mas a dúvida que fica é: até onde a aliança entre Gonet e o STF vai proteger a integridade do sistema jurídico brasileiro?