Mesmo do outro lado do mundo, em Índia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolveu falar – e falou com gosto. Já passava da madrugada deste domingo (22) quando ele comentou sobre o chamado “Tarifaço” imposto pelos Estados Unidos meses atrás e fez questão de dizer que o Brasil agiu certo ao não partir para o confronto direto com Donald Trump.
Segundo Lula, a decisão de não retaliar foi estratégica. E, na visão dele, o tempo provou isso. “Eu acho que nós tomamos as decisões corretas”, afirmou, em conversa com jornalistas. Ele destacou que parte das medidas já tinha sido revista pelo próprio governo americano e, agora, uma nova decisão da Justiça dos EUA acabou contrariando a tese defendida por Trump.
O presidente brasileiro fez questão de adotar um tom cuidadoso. Disse que não cabe a ele julgar decisões da Suprema Corte de outro país. “Eu não julgo nem a do meu país, ainda mais a de outro”, comentou, numa fala que misturou diplomacia e aquele jeitão político experiente que evita criar atritos desnecessários.
A declaração vem depois que a Suprema Corte dos Estados Unidos considerou ilegal o chamado Tarifaço e determinou que os valores cobrados deveriam ser devolvidos aos países afetados. A decisão pegou muita gente de surpresa no cenário internacional, principalmente porque a política tarifária de Trump sempre foi vista como uma das marcas mais fortes do seu governo.
Em Nova Delhi, onde cumpre agenda oficial, Lula aproveitou para mandar um recado direto ao presidente americano. Disse que o Brasil não quer embarcar em uma nova Guerra Fria, nem escolher lado entre potências. “Nós não queremos ter preferência por nenhum país”, declarou. A ideia, segundo ele, é manter relações equilibradas, tratando todos de forma igual e recebendo o mesmo tratamento em troca.
O discurso reforça algo que o governo brasileiro vem repetindo desde o início do mandato: a defesa de uma política externa mais autônoma, sem alinhamentos automáticos. Lula, que já governou o Brasil em outros momentos de tensão global, parece apostar na experiência acumulada. Pode até errar aqui e ali, mas nesse caso ele acredita que acertou.
E é curioso observar como o clima mudou. Meses atrás, quando o Tarifaço foi anunciado, havia pressão interna para que o Brasil respondesse na mesma moeda. Setores da indústria pediam medidas duras. Parte da oposição cobrava firmeza. Mas o Planalto preferiu a cautela. Segurou a onda, como se diz por aí.
Agora, com a decisão da Suprema Corte americana, o presidente se sente respaldado. Ele afirmou que a relação entre Brasil e Estados Unidos voltou a ser “totalmente civilizada e altamente respeitosa”. Não é pouca coisa, considerando o histórico recente de tensões diplomáticas.
Lula também deixou claro que os interesses do Brasil vão além da discussão sobre minerais críticos, tema que tem sido central nas disputas comerciais globais, especialmente em tempos de transição energética e avanço tecnológico. “A pauta que quero conversar com o presidente Trump é muito mais ampla”, afirmou, sinalizando que pretende tratar de comércio, investimentos e cooperação estratégica.
No fim das contas, o episódio mostra como a política internacional é cheia de idas e vindas. O que hoje parece confronto, amanhã pode virar acordo. O que soa como fraqueza em um primeiro momento pode se revelar prudência lá na frente.
Entre erros e acertos – porque nenhum governo é perfeito, e isso é fato – Lula tenta vender a imagem de um Brasil que dialoga, que não se curva, mas também não sai comprando briga à toa. Se a estratégia vai continuar dando certo, só o tempo dirá. Por enquanto, ele comemora o que considera uma vitória da diplomacia brasileira.