Análise: Juiz de Fora tem plano forte para um clima antigo

Estratégias para Enfrentar as Chuvas em Juiz de Fora: O Que Esperar do Plano de Contingência 2025–2026

O clima em todo o mundo tem mudado de maneira drástica nos últimos anos, e isso não é diferente em Juiz de Fora. Para o período chuvoso de 2025-2026, a cidade se preparou com um Plano de Contingência Municipal que é tanto técnico quanto institucional, refletindo um amadurecimento significativo no enfrentamento de desastres naturais. Elaborado pela Subsecretaria de Proteção e Defesa Civil e formalizado através de um decreto, o chamado PLANCON é uma estratégia abrangente que visa lidar com deslizamentos, inundações, enxurradas, ventos fortes e até granizo, com base em dados e hipóteses modeladas anteriormente.

Desafios das Mudanças Climáticas

Um dos principais desafios que o plano enfrenta é a mudança climática, que tem tornado os eventos climáticos mais severos e imprevisíveis. Isso significa que o planejamento deve ser constantemente ajustado, já que as condições climáticas que conhecíamos podem não se aplicar mais. O documento em questão faz um mapeamento detalhado das áreas que estão em risco, incluindo escorregamentos e inundações, e categoriza esses riscos em quatro níveis diferentes, de R1 a R4, baseando-se em atualizações que começaram em 2007.

Mapeamento de Riscos

O plano inclui ainda seis cenários distintos que consideram não apenas a possibilidade de danos materiais, mas também as implicações para a vida das pessoas e a economia local. Isso é essencial, pois ajuda a cidade a se preparar para possíveis desastres e a tomar medidas preventivas. A previsão de interdições e o uso de abrigos são algumas das medidas operacionais detalhadas no documento, que também considera a mobilização de equipes especializadas e a possibilidade de buscar recursos federais em caso de emergência.

Monitoramento e Alerta

Um ponto importante do plano é o sistema de monitoramento, que estabelece níveis de aviso vinculados a volumes de chuva. Por exemplo, uma precipitação de 111 milímetros por hora, que tem uma probabilidade de ocorrência de apenas 0,67% a cada ano, é um gatilho para ações imediatas. Isso é fundamental para garantir que a população esteja ciente do que está acontecendo e possa se preparar adequadamente.

Responsabilidades Claras

Outro aspecto que merece destaque é a Matriz de Atividades x Responsabilidades. O plano define claramente o que deve ser feito e por quem, o que é essencial para evitar confusões durante uma emergência. O uso do ciclo PDCA (Planejar, Executar, Verificar e Agir) para a melhoria contínua dos processos fortalece a governança e assegura que a cidade esteja sempre pronta para agir.

Desafios Estruturais e Urbanos

Apesar de suas qualidades, o plano enfrenta alguns desafios estruturais. A primeira questão é climática, pois as previsões de chuvas tradicionais podem não se aplicar mais devido ao aquecimento global. Além disso, o plano, embora forte na resposta, poderia ter uma abordagem mais incisiva em termos de prevenção, especialmente em áreas de maior risco, que são cada vez mais ocupadas.

Dimensão Social do Risco

A questão social também não pode ser ignorada. A eficácia do sistema de alerta depende de uma cultura de prevenção estabelecida na comunidade, o que inclui treinamento e pactuação sobre rotas de evacuação. Em áreas onde muitas pessoas vivem em zonas suscetíveis, uma comunicação eficaz é tão crucial quanto a instalação de sirenes e pluviômetros.

Conclusão

Em resumo, o PLANCON de Juiz de Fora é um plano que, ao mesmo tempo, é bem estruturado e operacionalmente claro. No entanto, sua evolução e eficácia dependerão da capacidade de integrar a mudança climática, o planejamento urbano e a redução da vulnerabilidade social em uma estratégia de adaptação mais ampla. Planejar a resposta é crucial, mas reduzir a exposição ao risco deve ser uma prioridade.

A CNN Brasil está tentando contatar a prefeitura de Juiz de Fora para mais informações, e o espaço permanece aberto para discussões sobre este tema tão importante.



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