Amigas dopam homens, roubam R$ 20 mil e tomam atitude ousada

Duas mulheres de 26 anos acabaram presas suspeitas de aplicar o chamado “golpe da boa noite” contra homens no Distrito Federal e em Goiás. Segundo a Polícia Civil, elas dopavam as vítimas durante encontros amorosos e depois limpavam as contas bancárias. O prejuízo passa dos R$ 20 mil. E o detalhe que mais chamou atenção: depois dos crimes, elas teriam viajado para curtir o Carnaval em Salvador, como se nada tivesse acontecido.

As investigadas são Aline Rodrigues dos Santos e Vitória Fernandes Soares. A prisão aconteceu na última segunda-feira, dia 23, durante a Operação Boa Noite, Cinderela — nome que faz referência direta ao tipo de golpe aplicado. De acordo com as apurações, elas colocavam medicamentos nas bebidas oferecidas aos homens durante encontros. O efeito era rápido: sonolência, confusão mental e, em alguns casos, perda total da consciência.

No dia 13, a polícia já havia ido até Águas Lindas de Goiás, onde as duas moram, para cumprir mandados de busca e apreensão. Só que elas não estavam. Tinham viajado para a Bahia para aproveitar o feriadão e o agito do Carnaval. Enquanto os trios elétricos arrastavam multidões atrás de artistas famosos, as suspeitas já eram consideradas foragidas da Justiça.

Desde então, passaram a ser procuradas. A situação mudou quando, dias depois, as duas decidiram comparecer à delegacia acompanhadas de uma advogada para prestar depoimento. Foi nesse momento que acabaram presas preventivamente.

Durante as buscas realizadas na casa delas, os policiais apreenderam possíveis medicamentos usados para dopar as vítimas, munições e outros materiais que agora fazem parte do inquérito. Um dos pontos que complicou ainda mais a situação foi justamente a munição encontrada com Vitória, que também vai responder por posse ilegal de munição de uso permitido.

A investigação começou lá em novembro de 2025, quando um homem de 53 anos procurou a polícia para denunciar o que havia acontecido em um motel de Ceilândia, no Distrito Federal. Ele contou que conheceu as duas mulheres e marcou um encontro. Durante a conversa, teria aceitado uma bebida oferecida por elas. Depois disso, tudo ficou meio nebuloso.

Segundo o relato, ele perdeu a consciência e só acordou horas depois, já sozinho no quarto. Ao pegar o celular e checar o aplicativo do banco, veio o susto: transferências via PIX tinham sido feitas para contas ligadas às investigadas. Além disso, compras em máquina de cartão também apareceram na fatura. O prejuízo foi calculado em R$ 19,5 mil. Um baque e tanto.

No decorrer das apurações, a Polícia Civil identificou outro caso com o mesmo modo de agir, dessa vez em Águas Lindas de Goiás. A vítima perdeu cerca de R$ 1,5 mil. Pode parecer menos, mas continua sendo golpe, continua sendo crime.

Um detalhe que deixou os investigadores ainda mais preocupados foi a suposta estratégia de intimidação. Conforme consta no inquérito, as suspeitas insinuavam que poderiam acusar falsamente as vítimas de estupro. Ameaçavam dizer que havia material genético que comprovaria o crime. Imagine o pânico de um homem ouvindo isso, ainda mais desacordado horas antes.

Por medo do constrangimento, da exposição pública e até de perder família e emprego, alguns podem ter preferido o silêncio. E é justamente esse medo que, muitas vezes, alimenta esse tipo de prática criminosa.

Com base nas provas reunidas, a Justiça decretou a prisão preventiva das duas. Elas foram indiciadas por roubo circunstanciado pelo concurso de pessoas, cuja pena pode chegar a 15 anos de prisão. Agora, o caso segue em andamento, e a polícia não descarta que outras vítimas apareçam.

Enquanto isso, o Carnaval acabou, mas para elas a folia deu lugar à cela. E a ressaca, dessa vez, não é de festa.

Confira:



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