Lula usa às redes sociais e informa falecimento de pessoa querida: “Lamento muito”

O presidente Luis Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), usou suas redes sociais na última sexta-feira, 27 de fevereiro, para prestar uma homenagem que tocou muita gente. Visivelmente sensibilizado, Lula falou sobre a morte do economista e professor Mário Lisboa Theodoro, que faleceu na tarde do dia 26, aos 69 anos, no Distrito Federal. A causa da morte não foi divulgada pela família.

A notícia pegou muitos de surpresa, especialmente quem acompanha os debates sobre desigualdade racial no Brasil. Mário Theodoro era considerado um dos principais estudiosos do tema no país. Ele dedicou anos da sua vida pesquisando as raízes da desigualdade e mostrando que a questão vai muito além de renda ou classe social. Para ele, o racismo estrutural sempre foi um fator central para explicar por que a população negra enfrenta mais dificuldades no mercado de trabalho.

Na publicação feita no X, antigo Twitter, Lula destacou justamente esse ponto. Segundo o presidente, os estudos de Theodoro mostraram que não dá para tratar a desigualdade racial apenas como um problema econômico. Existe uma injustiça histórica, profunda, que precisa ser encarada com seriedade. E isso, segundo ele, passa por reconhecer o racismo como parte do problema — algo que durante muito tempo foi ignorado por setores da sociedade.

Lula também relembrou que Mário Theodoro não ficou apenas na teoria. Ele colocou suas ideias em prática quando trabalhou no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), ainda durante o segundo mandato do atual presidente. Mais tarde, também atuou na Secretaria Extraordinária de Promoção da Igualdade Racial, no governo da então presidenta Dilma Rousseff. Foram períodos marcados por debates intensos e pela construção de políticas públicas voltadas à inclusão.

Entre as pautas que Mário defendia com firmeza estavam as políticas de cotas raciais. Ele acreditava que ações afirmativas não eram privilégios, como alguns costumam dizer, mas sim instrumentos de correção histórica. Uma forma concreta de enfrentar desigualdades que vêm de séculos. Lula fez questão de ressaltar isso, afirmando que essas ideias continuam vivas e seguem inspirando quem luta por um país mais justo.

O presidente escreveu que a melhor forma de honrar o legado do economista é manter o compromisso com políticas públicas sólidas. Não basta discurso bonito. É preciso ação, planejamento e continuidade. Ele frisou que as transformações sociais não acontecem do dia para a noite, mas são construídas com persistência — algo que, segundo ele, Mário sempre demonstrou.

A morte de Theodoro acontece em um momento em que o debate sobre desigualdade racial volta ao centro das discussões políticas e sociais. Nos últimos anos, o país tem vivido avanços e retrocessos nesse campo. Por isso, a perda de uma voz tão qualificada gera um vazio importante. Ainda assim, como destacou Lula, as ideias permanecem.

Ao final da homenagem, o tom foi de reconhecimento e respeito. Lula reforçou que o trabalho de Mário Theodoro ajudou a mudar mentalidades e contribuiu para que o Estado brasileiro enxergasse com mais clareza as desigualdades que marcam sua história. Não foi apenas um pesquisador, mas alguém comprometido com transformação real.

A despedida deixa tristeza, claro. Mas também deixa um legado consistente, que dificilmente será esquecido. E talvez seja esse o ponto mais forte da mensagem presidencial: pessoas passam, mas ideias que promovem justiça social continuam ecoando.

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