Nikolas Ferreira pode ser cassado por usar jatinho de dono do Master; entenda

Em meio ao clima político sempre quente de Brasília, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) voltou ao centro de uma nova polêmica. Nos últimos dias surgiram representações contra ele em três frentes diferentes da Justiça. O motivo? Uma viagem feita em 2022 num jatinho ligado ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que acabou sendo preso nesta semana. As informações começaram a circular depois de uma reportagem da Revista Fórum, que detalhou os bastidores da história.

De acordo com o que foi publicado, Nikolas teria utilizado o avião particular durante o período de campanha eleitoral daquele ano, quando estava ajudando na mobilização de votos para o então presidente Jair Bolsonaro. A situação levantou suspeitas dentro do meio político e jurídico. Alguns parlamentares dizem que pode ter ocorrido caixa dois eleitoral — quando gastos de campanha não são declarados oficialmente. Além disso, há quem levante a possibilidade de conexão com esquemas maiores de lavagem de dinheiro, embora nada disso tenha sido ainda provado.

O avião em questão tem capacidade para cerca de dez passageiros. Ele pertence ao grupo Prime You, empresa ligada a Vorcaro e ao ex-sócio dele, Maurício Quadrado. Durante aqueles dias de campanha, o jatinho levou Nikolas para várias cidades. Segundo relatos, passaram por capitais do Nordeste, além de compromissos no Distrito Federal, no Vale do Jequitinhonha e também no Triângulo Mineiro. Foi uma verdadeira maratona política, com encontros, gravações e eventos voltados ao público evangélico e jovem.

No Congresso e fora dele, a reação foi quase imediata. A deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) decidiu levar o caso ao Supremo Tribunal Federal. Ela apresentou uma representação pedindo que o nome de Nikolas seja incluído no inquérito que investiga o Banco Master. No documento enviado ao tribunal, a parlamentar argumenta que o mandato de deputado não pode servir de escudo para eventuais irregularidades. Em outras palavras, se houver algo errado, precisa ser investigado como qualquer outro caso.

Enquanto isso, no campo eleitoral, a discussão também chegou ao Tribunal Superior Eleitoral. Os deputados Rogério Correia (PT-MG) e Lindbergh Farias (PT-RJ) entraram com uma representação apontando suspeita de caixa dois na campanha. Caso as acusações avancem e sejam confirmadas, existe até a possibilidade — ao menos em tese — de cassação do mandato do parlamentar mineiro.

Lindbergh foi direto ao comentar o assunto. Segundo ele, um deslocamento desse tipo, utilizando um jatinho privado durante a campanha, precisaria ter todos os custos detalhados na prestação de contas eleitoral. Se os valores não apareceram ali, disse o deputado, a situação poderia configurar crime eleitoral. É uma discussão técnica, mas que costuma ter consequências pesadas na política brasileira.

Já Rogério Correia pediu algo a mais: a convocação de Nikolas para depor em uma comissão parlamentar de investigação. Para ele, o episódio pode ser apenas uma peça dentro de algo maior, possivelmente ligado a movimentações financeiras envolvendo o Banco Master e também a Igreja Batista da Lagoinha, bastante influente em determinados círculos evangélicos.

Outro nome que resolveu se manifestar foi o vereador Pedro Rousseff (PT-MG). Ele protocolou um pedido na Procuradoria‑Geral da República solicitando apuração do caso. Em um vídeo publicado nas redes sociais, afirmou que, se ficar comprovado o uso de caixa dois, o mandato de Nikolas pode acabar sendo cassado. A fala rapidamente se espalhou nas redes — que, como se sabe, são um campo onde essas disputas políticas ganham muita repercussão.

Curiosamente, as imagens da viagem que agora estão no centro da polêmica surgiram por causa de publicações feitas na época pela influenciadora Jey Reis. Ela acompanhou parte do grupo e postou fotos em frente ao avião. Numa dessas publicações, escreveu algo como: “em cinco dias rodamos todas as capitais do Nordeste”. A postagem passou quase despercebida na época, mas voltou à tona agora que o caso ganhou visibilidade.

Nas fotos também aparecem outras figuras conhecidas do campo conservador, como os deputados Filipe Barros (PL-PR) e André Fernandes (PL-CE). Outro personagem presente era o pastor Guilherme Batista, que ganhou notoriedade nas redes como o chamado “pastor gamer”. Aos 36 anos, ele mistura linguagem digital, jogos e pregação religiosa em eventos voltados para jovens.

Batista também lidera um projeto chamado Retiro Street Games, que funciona meio como um reality religioso voltado para adolescentes e jovens evangélicos. Durante a campanha de 2022 ele se aproximou bastante de Nikolas. Os dois participaram de caravanas chamadas “Juventude pelo Brasil”, organizadas com o objetivo de mobilizar eleitores mais novos dentro das igrejas.

Foi inclusive o próprio pastor quem entregou a Nikolas uma bandeira do Brasil que acabou sendo usada pelo deputado em uma caminhada simbólica até Brasília. Na época o gesto viralizou entre apoiadores. Agora, porém, o assunto voltou à tona em um contexto bem diferente — e ainda deve render novos capítulos nas próximas semanas. A política brasileira, afinal, raramente fica muito tempo sem uma nova controvérsia.



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