Nos últimos dias, um episódio envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, acabou chamando atenção e gerando bastante debate nos bastidores da política e também na imprensa. No meio dessa história aparece o nome de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, que veio a público negar que tenha recebido certas mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo informações repassadas à CNN Brasil, a assessoria de Viviane afirmou de forma direta que ela simplesmente “não recebeu as referidas mensagens”. A declaração surge como uma resposta ao que havia sido mencionado anteriormente pelo próprio Moraes, quando ele tentou rebater uma reportagem que trouxe novas suspeitas sobre o caso.
A polêmica começou depois de uma matéria publicada pela jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo. A reportagem apontava que teriam existido mensagens de visualização única trocadas entre Vorcaro e Moraes. Esse suposto contato teria acontecido justamente no mesmo dia em que o banqueiro foi preso, o que obviamente aumentou ainda mais o interesse público sobre o assunto.
De acordo com a matéria, essas mensagens teriam sido encontradas após uma análise técnica feita pela Polícia Federal do Brasil no celular de Vorcaro, que é dono do Banco Master. Os dados teriam sido extraídos durante as investigações ligadas à CPMI do INSS, que atualmente analisa uma série de documentos e arquivos relacionados ao caso.
Na última sexta-feira, o próprio STF divulgou uma nota para tentar esclarecer a situação. No comunicado, Moraes negou categoricamente que tenha recebido qualquer mensagem enviada por Vorcaro. Segundo ele, ao analisar os arquivos extraídos do celular do banqueiro, os prints das mensagens estavam associados a outras pastas de contatos e não indicavam que o destinatário fosse o ministro.
Ainda de acordo com a explicação apresentada pelo magistrado, os registros estariam dentro da mesma pasta do computador utilizado para guardar os prints feitos por Vorcaro. Isso, na visão dele, demonstraria que as mensagens não estavam relacionadas diretamente ao seu contato.
“Fica demonstrado que os prints estão vinculados a outros contatos telefônicos no computador de Daniel Vorcaro, jamais ao ministro Alexandre de Moraes”, afirmou o comunicado divulgado pela Secretaria de Comunicação do Supremo.
Mesmo assim, a discussão não terminou aí. Quando se observa a organização dos arquivos, aparece um detalhe que acabou levantando novas dúvidas. O contato de Viviane Barci de Moraes, que estaria salvo no aparelho como “Vivi Moraes”, aparece na mesma pasta onde se encontra um print do bloco de notas do celular de Vorcaro.
Nesse registro, escrito no dia da prisão do banqueiro, aparece a seguinte frase: “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear”. Não está claro para quem exatamente a mensagem teria sido direcionada, e é justamente isso que vem alimentando diferentes interpretações.
Especialistas em perícia digital ouvidos pela CNN afirmam que a maneira como os arquivos ficam organizados após a extração de dados de um celular nem sempre permite identificar automaticamente quem era o destinatário original de uma mensagem. Em outras palavras, o fato de um arquivo aparecer perto de um contato específico não significa, obrigatoriamente, que aquela pessoa recebeu o conteúdo.
Isso acontece porque os softwares usados em investigações forenses reorganizam os dados seguindo critérios técnicos. O objetivo principal é preservar a integridade das provas e evitar qualquer alteração no material coletado. Esse procedimento é conhecido no meio jurídico e investigativo como “cadeia de custódia”.
Na prática, o sistema acaba agrupando arquivos de maneiras que fazem sentido para a análise técnica, mas que nem sempre refletem exatamente como as mensagens apareceram originalmente no celular. Por isso, especialistas costumam alertar que interpretações precipitadas podem levar a conclusões erradas.
Enquanto isso, o caso segue gerando repercussão política e jurídica. Entre notas oficiais, reportagens e versões diferentes sobre os mesmos arquivos, o debate continua aberto — e dificilmente deve terminar tão cedo.