A conta oficial da Embaixada do Irã em Haia publicou nesta quinta-feira (12/3) um vídeo que rapidamente chamou atenção nas redes sociais. A peça é uma animação feita com inteligência artificial e faz uma provocação direta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O detalhe curioso é que o vídeo usa uma estética inspirada no famoso filme Divertida Mente, da Disney e da Pixar.
No começo da animação aparece Trump durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca. Ele fala com jornalistas e afirma algo que, em teoria, seria uma tentativa de se defender das acusações que surgiram nos últimos dias. “Não temos nenhum problema com civis”, diz o presidente americano no vídeo.
Só que a cena muda rapidamente. Uma repórter pergunta, de forma direta: “Então por que vocês atacaram a escola de Minab?”. A pergunta parece simples, mas é aí que começa a parte mais irônica da animação.
Logo depois do questionamento, o vídeo mostra os “pensamentos” de Trump funcionando como no filme Divertida Mente. Só que, em vez das emoções clássicas como alegria ou tristeza, aparecem versões sombrias, quase caricaturas do mal. Elas ficam numa sala de controle comandando tudo que o presidente pensa ou fala.
Essas emoções negativas mexem em uma espécie de painel cheio de botões. Entre os comandos exibidos aparecem palavras como “matar”, “caçoar” e “condenar”. Tudo apresentado de maneira bem parecida com a estética do longa da Pixar, mas com um tom bem mais pesado. A ideia da publicação parece clara: provocar e criticar duramente a postura americana no conflito.
Na legenda do vídeo, a embaixada fez uma mensagem carregada de emoção. O texto menciona diretamente as vítimas de um ataque que teria acontecido na cidade de Minab.
“Em memória dos 168 alunos inocentes de #Minab cujas vidas foram cruelmente tiradas pelas pessoas mais perversas da terra. Seus nomes podem desaparecer das manchetes, mas jamais devem desaparecer da nossa consciência”, diz o post.
A escola citada no vídeo teria sido atingida no dia 28 de fevereiro, durante ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã. Segundo relatos divulgados por autoridades iranianas, mais de 100 crianças morreram no episódio, o que provocou forte repercussão internacional e indignação em várias partes do mundo.
O caso, no entanto, ainda está cercado de versões diferentes. Autoridades dos Estados Unidos afirmaram que continuam investigando o que realmente aconteceu. Em algumas declarações, representantes do governo americano chegaram a levantar a hipótese de que o próprio Irã possa ter sido responsável pelo ataque à escola de meninas em Minab, localizada no sul do país.
Essa divergência de narrativas aumentou ainda mais a tensão diplomática. De um lado, o governo iraniano acusa Washington e seus aliados de responsabilidade direta. Do outro, autoridades americanas dizem que é preciso aguardar uma investigação mais detalhada antes de apontar culpados.
Enquanto isso, o vídeo divulgado pela embaixada acabou viralizando em plataformas digitais. Usuários comentaram bastante o uso da inteligência artificial e também a escolha de um filme tão popular para fazer uma crítica política pesada. Alguns acharam criativo, outros disseram que a postagem passa do limite.
De qualquer forma, o episódio mostra como a disputa entre países hoje também acontece nas redes sociais. Não é mais só discurso oficial ou coletiva de imprensa. Memes, animações e vídeos editados viraram parte da estratégia de comunicação — e às vezes da provocação também.
In memory of the 168 innocent schoolchildren of #Minab whose lives were cruelly taken by the most evil people on earth.
— ☫ Iran Embassy in The Hague, The Netherlands (@IRAN_in_NL) March 12, 2026
Their names may fade from the headlines, but they must never fade from our conscience.#StandWithIran#WarCrime#مدرسه_میناب pic.twitter.com/sCG2kpfM71
E no meio de tudo isso, fica a tragédia humana que motivou o debate. Crianças mortas, famílias destruídas e um conflito que, infelizmente, parece longe de acabar. A política internacional tem dessas coisas… uma hora vira discurso diplomático, na outra vira guerra de narrativas na internet.