A quarta-feira, dia 11, foi marcada por mais um daqueles episódios que costumam agitar o debate político em Brasília. A deputada federal transgênero Erika Hilton acabou sendo eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados. A escolha rapidamente virou assunto nas redes sociais e, como já era de se esperar, provocou reações de diferentes lados da política.
Entre os que se manifestaram está o deputado federal Nikolas Ferreira, que resolveu comentar o assunto de um jeito que já tinha causado polêmica no passado. Em uma publicação nas redes, ele resgatou uma imagem de março de 2023, quando apareceu usando uma peruca loira e se apresentou como “deputada Nicole” durante um discurso na tribuna da Câmara dos Deputados do Brasil.
Na época, o episódio deu bastante repercussão. Teve gente que achou uma crítica política legítima, enquanto outros classificaram a atitude como desrespeitosa. Naquele discurso, o parlamentar disse que, na visão dele, “as mulheres estão perdendo espaço para homens que se sentem mulheres”. A fala rodou internet, virou manchete em vários portais e alimentou discussões que foram muito além do plenário.
Agora, quase dois anos depois, o deputado voltou a mencionar aquele momento. Ao comentar a eleição de Erika Hilton para o comando da comissão, ele publicou a imagem novamente e escreveu uma frase curta, mas que rapidamente se espalhou nas redes: “Eu avisei”. Foi só isso mesmo, sem muito contexto adicional. Ainda assim, bastou para gerar uma nova onda de comentários.
Nos bastidores de Brasília, a eleição de Erika Hilton já era algo esperado por muita gente. Ela foi indicada pelo próprio partido, o Partido Socialismo e Liberdade, para assumir o comando da comissão. A indicação veio para substituir a atual presidente do colegiado, a deputada Célia Xakriabá, também do PSOL.
A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher é considerada um espaço importante dentro da Câmara. É ali que costumam tramitar debates e propostas ligadas a políticas públicas voltadas para proteção, igualdade e combate à violência contra mulheres. Em outras palavras, não é apenas um cargo simbólico — tem peso político de verdade.
Erika Hilton, que já vinha ganhando destaque na política nacional nos últimos anos, agora assume mais essa responsabilidade. Ela se tornou conhecida primeiro na política municipal de São Paulo e depois ganhou projeção nacional ao ser eleita deputada federal. Desde então, costuma participar de debates sobre direitos humanos, desigualdade social e questões ligadas à comunidade LGBTQIA+.
Nas redes sociais, como já virou rotina quando o assunto envolve política, a reação foi dividida. De um lado, apoiadores celebraram a eleição e disseram que a escolha representa diversidade e avanço na representação política. Do outro, críticos apontaram discordâncias e levantaram questionamentos sobre a decisão.
Esse tipo de discussão, aliás, não é novidade no cenário político brasileiro. Basta abrir qualquer rede social ou acompanhar programas de debate na TV para perceber que temas ligados a identidade, representação e direitos costumam gerar opiniões bem diferentes.
Enquanto isso, dentro da Câmara, a nova presidente da comissão deve começar os trabalhos nas próximas semanas. A expectativa é que o colegiado retome pautas já em andamento e também analise novos projetos que estão aguardando discussão.

Se vai haver mais polêmica ou não, ainda é cedo pra dizer. Mas uma coisa parece certa: quando o assunto envolve política brasileira, dificilmente o debate fica morno por muito tempo. E, pelo visto, esse capítulo ainda deve render conversa nos corredores de Brasília e também, claro, nas redes sociais.