Globo usa filho para desgastar Lula, diz advogado de Lulinha

O advogado Marco Aurélio Carvalho, responsável pela defesa de Fábio Luís Lula da Silva — mais conhecido como Lulinha — voltou a criticar duramente a atuação da imprensa, especialmente da TV Globo. Segundo ele, existe uma tentativa clara de retomar práticas antigas que marcaram a época da Lava Jato, com foco em atingir não só o filho, mas indiretamente o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em uma entrevista recente à Revista Fórum, o advogado comentou sobre a edição do Jornal Nacional exibida na noite anterior. De acordo com ele, o telejornal dedicou um espaço considerável para uma reportagem baseada em uma suposta “coincidência” envolvendo movimentações financeiras. O conteúdo citava repasses feitos por Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, para a empresa de uma amiga de Lulinha, e posteriormente pagamentos dessa mesma empresa para uma agência de viagens. Para Carvalho, tudo isso foi apresentado de forma tendenciosa, sem contexto adequado.

E aí vem um ponto curioso, que chamou atenção até de quem acompanha política mais de longe. Poucas horas depois da reportagem ir ao ar, o senador Flávio Bolsonaro — que já fez várias críticas pesadas à Globo no passado — acabou compartilhando o conteúdo nas redes sociais. Isso gerou um certo estranhamento, já que historicamente ele e a emissora estiveram em lados opostos. Mas dessa vez, parece que houve uma convergência de interesses, mesmo que momentânea.

Na visão do advogado, esse tipo de movimentação não é por acaso. Ele acredita que, diante da falta de um projeto político consistente por parte da oposição, a estratégia tem sido atacar o governo por outros caminhos. E atingir a família do presidente seria uma forma indireta, porém eficaz, de causar desgaste.

Carvalho chegou a comparar o cenário atual com o período da Lava Jato, classificando aquele momento como “tenebroso”. Segundo ele, naquela época existia uma relação muito próxima entre setores da investigação e parte da mídia, o que, na opinião dele, ajudava a construir narrativas negativas contra Lula. Ele citou inclusive nomes conhecidos daquele período, reforçando que esse tipo de articulação não pode se repetir.

“O que a gente vê agora é uma tentativa clara de reviver esse modelo”, disse, em tom crítico. Para ele, há um esforço em trazer de volta o tema da corrupção, mesmo sem provas concretas que sustentem as acusações direcionadas a Lulinha.

Outro ponto levantado pelo advogado diz respeito aos chamados vazamentos seletivos. Ele afirma que informações estão sendo divulgadas de forma parcial, muitas vezes fora de contexto, e possivelmente com origem dentro de órgãos públicos, como a própria Polícia Federal. Isso, segundo ele, contribui para criar uma narrativa distorcida dos fatos.

Diante disso, a defesa decidiu agir. Carvalho informou que já está entrando com uma representação para que esses vazamentos sejam investigados. A ideia é entender de onde partem essas informações e responsabilizar quem estiver por trás disso.

Em relação às investigações envolvendo Lulinha, o advogado foi categórico. Ele afirmou que não existe nenhuma ligação — direta ou indireta — do cliente com os fatos apurados na CPMI do INSS. Segundo ele, não houve recebimento de valores, nem qualquer tipo de envolvimento com o empresário citado.

Ele ainda destacou que todas as linhas de investigação que tentaram conectar Lulinha ao caso foram descartadas ao longo do tempo. “Os próprios fatos se encarregaram de mostrar que não há nada”, disse, reforçando que as acusações não se sustentam.

No fim das contas, o advogado acredita que o que está acontecendo é uma perseguição com motivação política e eleitoral. Algo que, na visão dele, já aconteceu antes e agora dá sinais de estar voltando, mesmo que de forma um pouco diferente. E isso, claro, levanta debates — alguns mais acalorados, outros nem tanto — sobre o papel da mídia, da Justiça e da política no Brasil atual.



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