Lula culpa ‘bandidos’ por alta dos combustíveis no Brasil; entenda

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a tocar num assunto que vem tirando o sono de muita gente: o preço dos combustíveis. Durante um compromisso em São Paulo, nesta quinta-feira (19), ele não economizou nas palavras e acabou chamando de “bandidos” alguns donos de postos e distribuidoras que, segundo ele, estão subindo os valores sem justificativa clara.

A fala veio num momento delicado, em que o preço do petróleo lá fora sofre impacto direto por conta da tensão no Oriente Médio. Só que, na visão do presidente, tem gente aproveitando esse cenário pra lucrar além do normal. E aí, quem paga a conta, como sempre, é o consumidor — principalmente o trabalhador que depende do carro ou da moto no dia a dia.

Lula até citou um ponto que chamou atenção: o aumento do etanol. Segundo ele, não faz sentido o álcool subir junto com a gasolina por causa de uma guerra envolvendo o Irã, já que são mercados diferentes. “Tem coisa errada aí”, foi mais ou menos o recado. Ele chegou a dizer, num tom bem direto, que tem gente querendo ganhar dinheiro “até com a fome dos pobres”. Pesado, mas foi assim que ele colocou.

Além das críticas, o presidente também cobrou uma atitude dos governadores. A ideia do governo federal é que os estados reduzam o ICMS, aquele imposto que pesa bastante no preço final dos combustíveis. Isso ajudaria a dar uma segurada nos valores, pelo menos no curto prazo. Mas, claro, não é tão simples assim.

Enquanto isso, Lula afirmou que pediu reforço na fiscalização. Entram aí órgãos como Polícia Federal, Receita Federal e também os Procons, que atuam mais diretamente na defesa do consumidor. A missão seria investigar aumentos considerados abusivos, principalmente no diesel, que impacta diretamente o frete e, consequentemente, o preço de praticamente tudo.

Ele destacou que não dá pra jogar o custo de uma guerra internacional nas costas do caminhoneiro brasileiro. E, olhando bem, faz sentido — afinal, quando o diesel sobe, tudo sobe junto. É efeito dominó.

Do outro lado dessa história, porém, os estados não estão totalmente convencidos. O Comsefaz, que reúne os secretários de Fazenda de todo o país, já sinalizou que reduzir o ICMS pode comprometer o caixa dos estados. E isso não é pouca coisa, já que esse dinheiro financia áreas essenciais como saúde, educação e segurança.

Em nota, o comitê falou sobre a necessidade de equilíbrio. Não adianta aliviar de um lado e criar um rombo do outro. É aquele tipo de decisão que precisa ser bem pensada, porque mexe com muita coisa ao mesmo tempo.

No meio desse cenário todo, os caminhoneiros chegaram a cogitar uma paralisação, o que sempre gera preocupação. Mas, pelo menos por enquanto, decidiram recuar. A categoria resolveu dar um voto de confiança nas medidas anunciadas pelo governo, principalmente na parte de fiscalização e tentativa de controle dos preços.

Agora, resta saber se isso tudo vai, de fato, refletir no bolso do consumidor. Porque no fim das contas, é isso que importa pra maioria das pessoas. O brasileiro já vem lidando com uma série de aumentos nos últimos tempos, e qualquer alívio, por menor que seja, já faz diferença.

Mas também fica aquela dúvida no ar: será que só fiscalização resolve? Ou o problema é mais embaixo, envolvendo toda a cadeia de produção e distribuição? É uma discussão que ainda vai render, com certeza.



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