Lula lamenta erro e faz forte desabafo: “ Eu vou pagar um preço muito alto”

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), acabou fazendo um desabafo que chamou atenção durante um evento recente. Em meio ao lançamento da pré-campanha de Fernando Haddad, Lula reconheceu que, na visão dele, cometeu um erro complicado dentro do próprio governo — e não foi um erro pequeno, daqueles que passam batido.

Segundo ele, a falha foi não ter insistido mais na abertura de uma CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) para investigar possíveis irregularidades no INSS. Lula contou que até defendia a ideia, mas acabou sendo convencido por aliados a não levar isso adiante. E aí, como ele mesmo deixou escapar, talvez tenha sido aí que a situação virou contra o governo.

Durante o discurso, Lula tentou reforçar que as investigações sobre a tal “roubalheira” na Previdência não começaram do nada. Ele fez questão de dizer que foi o próprio governo, junto com a Controladoria-Geral da União e a Polícia Federal, que puxaram o fio da meada. Ou seja, na visão dele, a iniciativa partiu de dentro, não de fora.

Mas aí vem o ponto que mais pesou. Lula disse que, mesmo sendo favorável à criação da CPMI, ouviu de gente do próprio grupo que não era uma boa ideia naquele momento. Algo do tipo: “não é importante agora” ou “governo não deve abrir CPI contra si mesmo”. E assim, meio que empurrando com a barriga, o assunto ficou parado. Resultado? A oposição foi lá e tomou a frente.

E isso, claramente, incomodou. Bastante.

Em um tom mais direto, quase irritado, Lula soltou uma frase que resume bem o sentimento dele: quando o governo hesita, paga caro. Ele disse algo como: enquanto eles deveriam estar atacando, acabaram sendo atacados. E não tem muito como discordar que, na política, vacilo custa caro — às vezes, caro demais.

O público presente, claro, reagiu. Teve aplauso, teve gente concordando, aquele clima típico de evento político onde cada fala mais forte vira combustível pra plateia.

Mas Lula não parou por aí. Em outro momento, ele trouxe à tona um assunto que vem rondando os bastidores: o tal do Banco Master. Sem entrar em muitos detalhes ou citar diretamente quem estaria por trás das acusações, ele reclamou que estão tentando jogar a responsabilidade disso nas costas do governo e do PT. Segundo ele, tem uma narrativa sendo construída — e o partido não pode simplesmente aceitar calado.

E foi justamente nesse ponto que o presidente deu uma cutucada interna. Lula criticou o que chamou de postura “acovardada” de parte da bancada do PT. Pra ele, falta atitude. Falta enfrentamento. Não dá mais pra ficar só soltando notinhas oficiais, tentando apagar incêndio com comunicado frio.

Ele foi bem direto: é preciso falar mais, se posicionar, ir pra cima. Citou, inclusive, de forma indireta, figuras como Gleisi Hoffmann e o próprio Haddad, dando a entender que esse estilo mais cauteloso talvez não esteja funcionando como deveria.

No fim das contas, o discurso teve um tom meio de autocrítica, meio de cobrança. Lula reconheceu que poderia ter agido diferente lá atrás, mas também deixou claro que, daqui pra frente, espera uma postura mais firme do seu grupo.

E olha… em tempos políticos tão tensos como os de agora, qualquer hesitação vira munição pro outro lado. Talvez tenha sido essa a principal mensagem — ainda que dita com algumas pausas, algumas falhas aqui e ali, mas com bastante sinceridade.



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