Esse foi o valor extraordinário que Banco Master pagou a escritório de esposa de Moraes

O caso envolvendo o Banco Master e um escritório de advocacia ligado à família de uma figura importante do Judiciário ganhou novos capítulos e segue dando o que falar em Brasília. De acordo com informações repassadas à Receita Federal, a instituição financeira declarou ter pago mais de R$ 80 milhões ao escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, que pertence à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Esses dados vieram à tona depois que documentos fiscais foram encaminhados à chamada CPI do Crime Organizado, instalada no Senado. A comissão, aliás, já vinha reclamando que parte dessas informações não tinha sido incluída na primeira leva enviada pela Receita. Ou seja, teve coisa que apareceu só depois… o que aumentou ainda mais a curiosidade (e desconfiança) de quem acompanha o caso.

Segundo os registros, os pagamentos feitos pelo banco somam exatamente R$ 80.223.653,84. O valor não foi pago de uma vez só, claro. Foram 22 parcelas mensais, cada uma de cerca de R$ 3,6 milhões — mais precisamente R$ 3.646.529,72. Esses repasses teriam ocorrido entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025.

Outro ponto que chama atenção é que o próprio Banco Master declarou ter recolhido aproximadamente R$ 4,9 milhões em impostos retidos na fonte sobre esses valores. Isso indica que, pelo menos do ponto de vista fiscal, os pagamentos foram formalizados e informados ao Fisco, o que costuma ser usado como argumento de regularidade.

Coincidentemente (ou não), esses números batem com uma reportagem publicada pelo jornal O Globo em dezembro de 2025. Na ocasião, a matéria revelou a existência de um contrato entre o banco e o escritório de Viviane Barci. O acordo previa repasses mensais na casa dos R$ 3,6 milhões durante um período de 36 meses. Mas, pelos dados que surgiram agora, pelo menos até novembro de 2025 foram contabilizados 22 desses pagamentos.

Em março deste ano, o próprio escritório confirmou que prestou serviços ao Banco Master. Segundo a banca, o contrato envolveu consultoria jurídica e atuação em diferentes frentes. Eles destacaram que cerca de 15 advogados participaram diretamente dos trabalhos, que incluíram 79 reuniões realizadas na sede do banco. Além disso, outros três escritórios especializados também teriam sido contratados para auxiliar nas demandas — o que sugere que não era um serviço simples, daqueles resolvidos em poucas semanas.

Apesar disso, nem tudo está esclarecido. Procurado recentemente, o escritório Barci de Moraes adotou um tom mais cauteloso. Em nota, afirmou que não confirma “informações incorretas e vazadas ilicitamente”, reforçando que dados fiscais são protegidos por sigilo. Ou seja, eles não negam diretamente o contrato, mas questionam a forma como essas informações vieram à público.

Nos bastidores de Brasília, o assunto virou munição política. Integrantes da CPI têm usado os números para pressionar por mais explicações, enquanto outros defendem que não há ilegalidade comprovada até o momento. É aquele típico cenário de tensão: de um lado, suspeitas; do outro, argumentos técnicos e jurídicos.

A CPI do Crime Organizado, por sinal, já tem data para acabar. Instalada em novembro do ano passado, a comissão deve ser encerrada na próxima terça-feira, dia 14, sem previsão de prorrogação. Isso significa que o tempo para aprofundar investigações ou apresentar conclusões está se esgotando — e rápido.

No fim das contas, o caso ainda está longe de um ponto final. Tem documento, tem versão oficial, tem questionamento… mas falta clareza em vários pontos. E como costuma acontecer por aqui, quando envolve política, Justiça e cifras milionárias, a história dificilmente termina de forma simples.



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