A coisa tá meio esquisita no noticiário político — e quem acompanha percebe rápido. A chamada grande mídia, que sempre tenta manter aquela pose de “isentona”, parece ter dado uma guinada curiosa nos últimos dias. O foco agora gira em torno do senador Flávio Bolsonaro, que vem ganhando espaço numa possível disputa presidencial contra o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT.
Tudo começou depois que Flávio soltou um vídeo nas redes defendendo a privatização das chamadas terras raras — aqueles minerais estratégicos que o mundo inteiro tá de olho. Não demorou muito pra Folha de S.Paulo entrar no assunto. E entrou com tudo. O jornal publicou um editorial pesado, criticando o PT e, indiretamente, dando respaldo ao discurso do senador.
Mas isso não veio do nada. Nos últimos dias, outros veículos grandes, tipo Grupo Globo e O Estado de S. Paulo, também já vinham batendo no governo Lula, especialmente em temas econômicos. Teve até defesa de aumento de jornada de trabalho, algo que sempre gera polêmica e reação forte nas redes.
Voltando ao caso da Folha: no editorial publicado na segunda-feira, dia 27 de abril, o jornal não economizou nas palavras. Chamou de “piada” o projeto do PT que quer criar a tal da Terrabras — uma estatal voltada pra gerenciar as terras raras, meio que nos moldes da Petrobras. Pra Folha, a ideia não só é ruim como chega a ser caricata.
O texto foi direto: disse que o projeto representa uma interferência pesada do Estado em várias etapas do setor — desde a exploração até a exportação desses minerais. E não para por aí. Segundo o jornal, a proposta também prevê partilha de produção entre governo e empresas, exigência de conteúdo nacional e até limitação nas exportações. Na visão deles, isso tudo pode travar o mercado e afastar investimento.
Outro ponto que chamou atenção foi o tom usado. Não foi aquela crítica técnica, fria. Teve ironia, provocação, quase um deboche mesmo. O título do editorial já dava o clima: “Terrabras e outras más ideias do PT para minerais críticos”. Ou seja, não ficou muito espaço pra interpretação neutra.
Nos bastidores, muita gente começou a levantar a sobrancelha. Será que parte da mídia e do mercado financeiro — aquela turma da Faria Lima — já estaria se alinhando com o discurso mais liberal, como o defendido por Flávio? Não dá pra afirmar com certeza, mas os sinais tão aí, e são comentados.
Outro detalhe importante: a discussão sobre terras raras não surgiu do nada. O tema ganhou força depois que a China, que domina boa parte da produção mundial, teria voltado a usar esses minerais como ferramenta numa espécie de guerra econômica com os Estados Unidos. Isso acendeu o alerta global, inclusive aqui no Brasil.
E foi nesse contexto que Flávio Bolsonaro apareceu com o vídeo defendendo que o Brasil abra mais espaço pra empresas estrangeiras explorarem esses recursos. A proposta divide opiniões. Tem quem veja como oportunidade de investimento e crescimento, e tem quem enxergue risco de perder controle sobre riquezas estratégicas.
No fim das contas, o que dá pra perceber é que o debate tá longe de ser só técnico. Tem política, economia, geopolítica e, claro, narrativa. E a mídia, que deveria só informar, acaba também influenciando — às vezes mais do que parece.
E olha… isso ainda deve render bastante.