Entenda em oito pontos a derrota histórica de Jorge Messias no Senado

A Derrota de Messias: O Fim de uma Longa Jornada pela Vaga no STF

Na quarta-feira, dia 29, uma notícia abalou os corredores do Planalto: a rejeição do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Essa decisão representou o fim de uma articulação que durou seis meses e envolveu intensas negociações entre o governo e os congressistas. Messias se tornou, assim, o primeiro indicado a ser reprovado pelo Senado desde a redemocratização do Brasil.

Após a saída de Luís Roberto Barroso, em outubro do ano passado, a vaga no STF se tornou um tema crucial na agenda do governo Lula. No entanto, a derrota de Messias acendeu um alerta sobre a relação entre o Executivo e o Legislativo, uma vez que a base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começou a traçar estratégias de reação diante dessa situação adversa.

1. O Conflito de Interesses

Logo após a saída de Barroso, as articulações começaram. O presidente Lula tinha Jorge Messias como seu favorito, mas o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, defendia o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), que também era bem visto no STF. Essa disputa interna aumentou a tensão entre o governo e o Senado, criando um ambiente complicado para a aprovação da indicação.

2. A Indicação de Messias

No dia 20 de novembro, Lula anunciou oficialmente a escolha de Messias para o STF, que seria a terceira indicação do petista em seu atual mandato. As outras duas indicações foram Flávio Dino, que ocupou o lugar de Rosa Weber, e Cristiano Zanin, que substituiu Ricardo Lewandowski. O governo, no entanto, não comunicou Alcolumbre sobre a indicação, um gesto que, embora não obrigatório, é considerado uma cortesia nas relações entre os poderes.

3. Sabatina Desmarcada

Inicialmente, uma sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado foi agendada para o dia 10 de dezembro. No entanto, o governo decidiu adiar a entrega da mensagem presidencial, temendo a rejeição de Messias em meio à resistência já existente na Casa. Essa decisão foi vista como uma tentativa de ganhar tempo e apoio dos senadores, mas acabou levando Alcolumbre a cancelar a sessão, criticando a demora do Planalto.

4. O Périplo de Messias

Nos meses seguintes, Messias intensificou suas conversas com senadores, em busca de apoio para sua indicação. Ele participou de reuniões em vários gabinetes, tentando consolidar o endosse necessário para a sabatina. Esse esforço, conhecido como “beija-mão”, é uma prática comum em Brasília, onde o apoio político muitas vezes depende de relações pessoais.

5. Troca de Farpa

No final de 2025, Alcolumbre tornou-se mais crítico em relação ao governo, em meio à crise gerada pela escolha de Messias. O senador, mesmo enfrentando críticas, afirmava que estava apenas defendendo as prerrogativas do Senado. Ele chegou a mencionar que alguns setores da sociedade estavam criando uma “disputa” entre as instituições democráticas. Um novo encontro entre Alcolumbre e Lula foi sugerido, mas o senador se negou a participar.

6. O Envio da Mensagem ao Senado

Em 1º de abril, o Planalto finalmente enviou a mensagem ao Senado, oficializando a indicação de Messias, acreditando que a resistência ao nome tinha diminuído. A CCJ marcou a sabatina para o dia 29 de abril, com a votação no plenário prevista para o mesmo dia.

7. Messias Retoma o Périplo

Com a data marcada, Messias retomou suas visitas aos senadores, buscando votos tanto na CCJ quanto no plenário. O relator da indicação, senador Weverton Rocha (PDT-MA), apresentou um parecer favorável ao advogado-geral da União, o que gerou esperanças no Planalto de que a aprovação seria possível.

8. A Derrota de Messias

Apesar de ser aprovado na CCJ por 16 votos a 11, a sabatina no plenário foi um verdadeiro desafio. Durante as oito horas de questionamentos, Messias abordou temas polêmicos, como aborto, religião e os escândalos recentes envolvendo o Banco Master. Contudo, a votação no plenário resultou em uma derrota significativa: 42 votos contrários à sua indicação e apenas 34 a favor. Para ser aprovado, eram necessários pelo menos 41 votos, e essa rejeição histórica deixou marcas profundas nas relações entre o Senado e o Planalto.

Essa situação ressalta a complexidade da política brasileira, onde as articulações e os interesses muitas vezes se entrelaçam de formas inesperadas. A rejeição de Messias não é apenas um revés pessoal, mas um sintoma de um sistema político que ainda está se ajustando às novas dinâmicas de poder.



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