A rejeição de Jorge Messias na sabatina do Senado caiu como uma bomba em Brasília — e não demorou muito pra começar o jogo de recados. Logo depois do resultado, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, tratou de deixar claro, nos bastidores e também de forma mais aberta, qual vai ser o tom daqui pra frente.
Segundo relatos que circulam entre parlamentares, Alcolumbre praticamente fechou a porta para qualquer nova indicação ao Supremo Tribunal Federal antes das eleições. Em outras palavras: Lula até pode querer indicar outro nome, mas dificilmente isso vai andar agora. A decisão, pelo que se comenta, já teria sido meio que “combinada” internamente depois da derrota de Messias — que, diga-se, não foi pouca coisa.
O clima no Congresso não é dos mais tranquilos. Com as eleições batendo na porta, qualquer movimento mais sensível vira motivo de tensão. E a escolha de um ministro do STF, claro, entra nessa categoria. Alcolumbre teria dito que o momento é delicado demais pra esse tipo de votação, ainda mais com o cenário político tão embolado.
E não tá mesmo. As pesquisas mais recentes mostram Lula em empate técnico com Flávio Bolsonaro, o que deixa tudo ainda mais imprevisível. Tem senador que acha até mais prudente deixar essa decisão pro próximo presidente, seja ele quem for. O líder da oposição, Rogério Marinho, por exemplo, já deu sinais de que vê com bons olhos essa ideia — o que, convenhamos, também tem um peso político importante.
Mas talvez o ponto mais curioso dessa história toda não esteja nem na decisão em si, e sim no recado por trás dela. Segundo a jornalista Andréia Sadi, a derrota de Messias foi mais do que uma simples rejeição: foi uma demonstração de força. Um aviso direto de que, no Senado, quem dá as cartas é Alcolumbre.
E isso não é pouca coisa. Nos bastidores, o comentário é que ele ficou incomodado com tentativas de articulação fora do seu controle. Aquela velha política de corredor, sabe? Conversas paralelas, acordos meio atravessados… nada disso teria passado pelo radar dele. E, pelo jeito, ele não gostou nem um pouco.
Aliás, há quem diga que a derrota já era esperada — pelo menos por ele. Relatos indicam que Alcolumbre já vinha avisando desde o dia anterior que a indicação não iria pra frente. Mesmo assim, teve senador que ficou surpreso com o tamanho da resistência.
Outro detalhe que chama atenção: alguns parlamentares chegaram a comentar, em off, que até votariam a favor de Messias. Mas acabaram recuando. Motivo? Simples — Alcolumbre não teria liberado. Isso mostra o nível de influência que ele exerce hoje dentro da Casa, o que, de certa forma, explica muita coisa.
No fim das contas, o episódio escancara um cenário político meio travado, cheio de interesses cruzados e com muita gente pisando em ovos. A disputa eleitoral, que já tá quente, só aumenta essa tensão. E decisões importantes acabam ficando em segundo plano, ou pelo menos sendo adiadas.
Agora, fica a dúvida no ar: Lula vai insistir em um novo nome ou vai esperar o resultado das urnas? Ninguém sabe ao certo. O que dá pra dizer é que, por enquanto, o Senado parece disposto a segurar qualquer movimento desse tipo.
E assim segue Brasília… entre articulações, recados indiretos (ou nem tão indiretos assim) e um jogo político que, às vezes, parece mais complicado do que deveria ser.