A apresentadora Cariúcha começou a edição do Superpop da última quarta-feira (29) com um clima bem diferente do habitual. Nada de risada solta ou entrada leve. Logo de cara, ela veio com um discurso mais pesado, direto, daqueles que chama atenção de quem tá assistindo até distraído no celular.
O motivo foi uma polêmica envolvendo a atriz Cássia Kis, que virou assunto depois de uma denúncia séria de transfobia. Uma mulher trans, identificada como Roberta, afirmou ter sido constrangida e ofendida ao tentar usar o banheiro feminino em um shopping no Rio de Janeiro. O caso repercutiu rápido nas redes — inclusive no X (antigo Twitter), onde esse tipo de debate costuma explodir em minutos.
Cariúcha não economizou nas palavras. Já no início do programa, ela deixou claro que não iria passar pano. Disse que o episódio foi “um show de horrores”, destacando falta de respeito e até de humanidade. O tom foi firme, meio indignado, e dava pra perceber que não era algo ensaiado demais… parecia mais um desabafo mesmo, daqueles que vêm atravessado.
Na sequência, ela tentou ampliar a discussão. Trouxe números, falou da realidade do Brasil — que, infelizmente, segue sendo um dos países com maior índice de violência contra pessoas trans. E não parou por aí. Também citou o aumento de casos de feminicídio, algo que tem aparecido com frequência no noticiário recente, tipo aqueles casos que chocam e logo viram pauta nacional.
Em certo momento, ela até pediu um “zoom” da câmera, como quem quer olhar direto no olho do público. Foi ali que veio uma das falas mais fortes: questionou o que exatamente Cássia Kis esperava — se mulheres trans deveriam usar banheiro masculino. “Ela é uma mulher”, reforçou, defendendo o direito básico de acesso ao banheiro feminino.
Mas o discurso não ficou só nessa questão. Cariúcha puxou outros exemplos de violência, tentando mostrar que existem problemas muito mais urgentes acontecendo. Citou casos de mulheres agredidas por parceiros, crianças vítimas de abuso… assuntos pesados, sim, mas que fazem parte da realidade e que, segundo ela, deveriam gerar mais indignação do que a presença de uma mulher trans em um banheiro.
Teve também um momento mais pessoal, que talvez tenha sido o mais marcante. A apresentadora contou que convive com uma mulher trans dentro da própria casa. E aí o tom mudou um pouco — ficou mais íntimo, mais humano. Ela lembrou de situações em que as duas precisaram usar banheiro público e do receio, daquele olhar de dúvida antes de entrar. Mesmo assim, garantiu que sempre incentivou: “vai entrar sim”, disse, meio que desafiando qualquer possível reação preconceituosa.
Esse trecho deu um peso diferente ao discurso. Não era só opinião ou posicionamento de TV — era vivência. E isso, querendo ou não, aproxima quem tá assistindo.
No fim das contas, Cariúcha reforçou a ideia de que o preconceito precisa acabar. Falou sobre dar voz a quem muitas vezes não tem espaço, e que é por isso que ela usa a visibilidade que tem. Pode até ter quem discorde da forma, do tom ou das palavras… mas é inegável que o recado foi dado, alto e claro.
E assim, o programa que normalmente começa leve, começou com um soco de realidade. Meio desconfortável? Talvez. Mas necessário, como muita gente comentou depois.
Começo o #Superpop desta quarta-feira falando sobre a questão da Cássia Kiss com uma mulher trans em um banheiro feminino.
— Cariúcha (@cariuchaoficial) April 30, 2026
"É pra isso que estou em frente a essas câmeras. É pra dar voz, pra quem não tem voz!" pic.twitter.com/tkWmRLaZJP