Ana Luiza interrompe JN para anunciar morte de jornalista: ‘Aos 85 anos’

A edição do último sábado (02) do Jornal Nacional teve um momento daqueles que deixam o clima mais pesado, quase silencioso na sala de casa. A apresentadora Ana Luiza precisou interromper o ritmo tradicional do telejornal pra dar uma notícia triste: a morte do jornalista Raimundo Rodrigues Pereira, aos 85 anos.

Sem rodeio, mas com aquele tom sério que o momento pede, ela anunciou: “Morreu hoje no Rio de Janeiro, aos 85 anos, o jornalista Raimundo Rodrigues Pereira”. Foi rápido, direto… e suficiente pra marcar o peso da informação. Ele faleceu durante a manhã, na cidade onde vinha vivendo já há alguns anos.

Até o momento, a causa da morte não foi divulgada. E isso acabou gerando aquele burburinho comum nas redes sociais — gente tentando entender, outros apenas prestando homenagens. Aliás, em tempos em que tudo viraliza muito rápido, chamou atenção a quantidade de jornalistas e leitores mais antigos que fizeram questão de lembrar da importância dele.

Raimundo não era exatamente um nome popular pra quem acompanha só manchetes rápidas ou redes sociais, mas dentro da imprensa ele sempre foi visto como uma referência. Daqueles profissionais que construíram carreira com consistência, sem depender de holofote.

A história dele começa lá atrás, ainda jovem, quando ingressou no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Só que o caminho não seguiu exatamente como o planejado. Durante o período do regime militar no Brasil, a vida de muitos estudantes mudou — e com ele não foi diferente. Raimundo acabou sendo expulso da instituição por conta de textos publicados em um jornal estudantil. Textos esses que, pelo visto, incomodaram.

Esse episódio, que poderia ter encerrado possibilidades, acabou empurrando ele pra outro rumo. Mais tarde, ele se formou pela Universidade de São Paulo (USP), e foi justamente aí que o jornalismo entrou de vez na vida dele. Não como um plano B, mas como algo que parecia fazer sentido, sabe?

Ao longo dos anos, construiu uma trajetória respeitável. Participou da criação da Editora Abril — o que, por si só, já diz muita coisa sobre o peso da sua atuação — e trabalhou em veículos importantes. Entre eles, a revista Realidade, que marcou época no Brasil, e também o tradicional jornal O Estado de São Paulo.

Nos bastidores, segundo relatos de colegas, Raimundo tinha um estilo bem particular. Era daqueles que mergulhavam fundo nos assuntos, mesmo os mais complicados, e conseguiam traduzir tudo de um jeito acessível. Não era um jornalista de frases vazias ou textos superficiais. Pelo contrário, prezava pela profundidade, mas sem perder a clareza.

Hoje em dia, num cenário onde a informação muitas vezes vem picotada, rápida e até meio confusa, esse tipo de perfil faz falta — e talvez por isso a morte dele tenha mexido tanto com profissionais da área. Não só pelo que ele fez, mas pelo jeito como fazia.

E mesmo sem tanta exposição nos últimos anos, o legado ficou. Fica, aliás. Em matérias antigas, em histórias contadas por quem trabalhou com ele, e também nesse reconhecimento quase unânime de que foi um dos nomes importantes do jornalismo brasileiro.

A despedida foi discreta, como parece ter sido boa parte da vida dele. Mas significativa. Porque, no fim das contas, não é só sobre quem aparece mais — é sobre quem realmente constrói algo que permanece.



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