A deputada federal Gleisi Hoffmann, do PT do Paraná, voltou a subir o tom contra o senador Flávio Bolsonaro nesta terça-feira, dia 26 de maio. A parlamentar pediu mais uma vez a quebra dos sigilos bancário e fiscal do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro depois da divulgação de áudios envolvendo o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro. O assunto acabou virando munição política em Brasília e também dominou as redes sociais ao longo do dia.
Segundo Gleisi, as conversas divulgadas recentemente levantam dúvidas sérias sobre a movimentação de dinheiro ligada ao filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro que ainda nem estreou oficialmente mas já virou motivo de dor de cabeça nos bastidores da política. A produção teria recebido um aporte milionário, algo em torno de R$ 61 milhões, valor considerado altíssimo até para padrões do cinema nacional.
Nas redes sociais, principalmente no X, antigo Twitter, Gleisi questionou a demora das autoridades em aprofundar as investigações. Em uma das publicações ela perguntou porque os sigilos de Flávio Bolsonaro ainda não teriam sido quebrados diante das revelações mais recentes. O comentário repercutiu bastante e dividiu opiniões entre apoiadores do governo e aliados da oposição.
O caso ganhou ainda mais força depois de uma reportagem publicada pelo site The Intercept Brasil no último dia 13 de maio. O veículo divulgou áudios e trocas de mensagens que apontariam uma ligação direta entre Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro durante as negociações envolvendo o financiamento do longa-metragem. As gravações rapidamente se espalharam pela internet e passaram a ser comentadas por jornalistas, influenciadores e políticos.
Um dos trechos que mais chamou atenção teria sido gravado em novembro de 2025, pouco antes da prisão de Daniel Vorcaro na chamada Operação Compliance Zero. Na época, o ex-banqueiro já enfrentava uma série de problemas relacionados ao Banco Master, instituição que acabou entrando em colapso financeiro dias depois. Nas conversas, segundo os relatos divulgados, Flávio apareceria tratando de detalhes ligados a liberação dos recursos destinados ao filme.
O episódio provocou desgaste no entorno do senador, que atualmente é tratado como um dos possíveis nomes da direita para disputar a Presidência em 2026. Adversários políticos passaram a cobrar explicações sobre a origem do dinheiro e a maneira como esses valores circularam. Já aliados de Flávio afirmam que não houve ilegalidade e dizem que o financiamento foi privado, sem uso de verba pública ou incentivos da Lei Rouanet.
Mesmo assim, o tema segue crescendo em Brasília. Nos corredores do Congresso o clima já é de tensão. Parlamentares governistas acreditam que novas revelações ainda podem aparecer nas próximas semanas, principalmente por causa das investigações envolvendo o antigo comando do Banco Master. Tem gente que compara a repercussão desse caso com outras crises políticas recentes que acabaram dominando o debate nacional por meses.
Daniel Vorcaro também virou peça central dessa história toda. O empresário passou a ser investigado depois da quebra do banco e das suspeitas de fraudes financeiras. A proximidade dele com figuras ligadas ao bolsonarismo acabou aumentando a pressão sobre Flávio Bolsonaro justamente em um momento delicado da pré-campanha presidencial.
Enquanto isso, o senador tenta minimizar os danos. Em entrevistas recentes ele afirmou que apenas ajudou na busca por investidores interessados no projeto cinematográfico. A defesa dele insiste que não existe irregularidade e acusa adversários de tentarem transformar o caso em palanque político antecipado.
Nas redes, o assunto segue quente. O nome de Flávio Bolsonaro ficou entre os mais comentados do país durante boa parte do dia e a discussão promete continuar. Em Brasília, pouca gente acredita que essa polêmica vá acabar tão cedo.