A disputa pelo comando do Paraná em 2026 já começa a ganhar contornos cada vez mais intensos. Mesmo faltando meses para o início oficial da campanha eleitoral, lideranças políticas do estado já trocam críticas públicas e demonstram que a corrida pelo Palácio Iguaçu será marcada por confrontos diretos.
Neste fim de semana, o senador Sergio Moro (PL) respondeu às declarações feitas pela deputada federal Gleisi Hoffmann (PT), presidente nacional do partido. Em uma publicação divulgada nas redes sociais no domingo (31), o ex-juiz da Operação Lava Jato afirmou que seu grupo político está preparado para impedir o crescimento do PT no Paraná e garantiu que os eleitores podem ficar tranquilos quanto ao futuro do estado.
A manifestação ocorreu um dia depois de Gleisi participar do lançamento da pré-candidatura do deputado estadual Requião Filho (PDT) ao governo paranaense. Durante o evento realizado em Curitiba, a petista fez duras críticas a Moro e declarou que a esquerda derrotará “a extrema direita no Brasil e o juiz ladrão no Paraná”. A fala teve grande repercussão nos bastidores políticos e rapidamente gerou reação entre aliados do senador.
Sem deixar o ataque sem resposta, Moro utilizou suas redes para rebater a adversária. Embora tenha evitado mencionar Gleisi nominalmente em alguns momentos da mensagem, o senador deixou claro que considera o PT seu principal oponente político no estado. Segundo ele, o projeto que está sendo construído por seu grupo terá força suficiente para barrar as pretensões eleitorais dos petistas e de seus aliados.
A troca de acusações evidencia que a disputa eleitoral já começou muito antes do calendário oficial. Afinal, Moro e Gleisi carregam uma rivalidade política que se arrasta há anos, principalmente desde os tempos da Lava Jato, operação que transformou profundamente o cenário político nacional e colocou ambos em lados opostos de um dos períodos mais turbulentos da história recente do país.
Além de responder às críticas, Moro também aproveitou para ironizar o evento promovido pela oposição. O senador afirmou que, mesmo com a mobilização da militância petista e de lideranças de esquerda, o encontro não teria conseguido reunir o público esperado. A declaração foi vista como uma tentativa de minimizar a demonstração de força política apresentada durante o lançamento da pré-candidatura de Requião Filho.
Nos bastidores, analistas políticos avaliam que esse tipo de estratégia é comum em momentos de pré-campanha. Lideranças costumam buscar o fortalecimento de sua própria imagem enquanto tentam enfraquecer adversários, principalmente quando a disputa começa a ganhar espaço no debate público.
Durante a publicação, Moro também voltou a criticar pautas historicamente defendidas pelo PT. Entre os pontos mencionados pelo senador estão propostas relacionadas à revisão de privatizações, posicionamentos sobre segurança pública e críticas frequentes feitas por integrantes da esquerda à política externa dos Estados Unidos. Na visão do parlamentar, essas bandeiras representam um caminho que não interessa ao Paraná.
Outro tema retomado pelo ex-juiz foi a própria Operação Lava Jato. Moro afirmou que ainda existem versões distorcidas sobre os acontecimentos envolvendo a força-tarefa e defendeu novamente o trabalho realizado durante as investigações que marcaram sua trajetória pública.
Nos últimos meses, o senador tem intensificado sua presença no interior do estado, participando de encontros com lideranças regionais, empresários e representantes de diversos setores. Embora ainda não tenha oficializado sua candidatura ao governo, os movimentos políticos indicam que a disputa pelo cargo está nos seus planos para 2026.
Ao encerrar sua mensagem, Moro reforçou um discurso que tem repetido em diferentes agendas públicas. Segundo ele, o Paraná continua sendo uma fortaleza política de seu grupo e permanecerá resistente ao avanço dos adversários.
Com os principais nomes começando a se posicionar e os discursos ficando cada vez mais duros, a tendência é que os próximos meses sejam marcados por novos confrontos. Se depender das declarações recentes, a rivalidade entre Sergio Moro e Gleisi Hoffmann ainda deve render muitos capítulos antes da eleição.