O infarto do miocárdio, conhecido popularmente como ataque cardíaco, continua sendo uma das maiores preocupações quando o assunto é saúde no Brasil. A doença acontece quando o fluxo de sangue que deveria chegar ao coração é interrompido de forma repentina, geralmente por causa de um coágulo que bloqueia uma das artérias coronárias. Sem receber oxigênio suficiente, parte do músculo cardíaco começa a morrer, o que pode provocar consequências graves e até levar à morte.
O grande problema é que nem sempre os sintomas aparecem da maneira que as pessoas imaginam. Muita gente espera uma dor intensa no peito, mas os sinais podem ser diferentes e até confundidos com problemas mais simples do dia a dia. Por isso, médicos reforçam a importância de prestar atenção em alguns alertas que o corpo costuma dar antes ou durante um infarto.
Entre os sintomas mais comuns está a sensação de aperto no peito, descrita por algumas pessoas como se alguém estivesse abraçando o corpo com muita força. Também é frequente o surgimento de um cansaço fora do normal, mesmo sem esforço físico. Em alguns casos, a pessoa sente dores que se espalham para os braços, costas ou região do peito.
Outro sinal que merece atenção é a dor que aparece durante atividades físicas, mesmo as mais leves. A falta de ar sem explicação aparente também pode indicar que algo não está funcionando corretamente no sistema cardiovascular. Há ainda relatos de pessoas que começam a acordar durante a madrugada com dificuldade para respirar ou apresentam episódios constantes de insônia.
Sintomas aparentemente simples, como azia, dor de estômago e desconforto na garganta ou no pescoço, também podem estar relacionados ao infarto. Por isso, especialistas recomendam não ignorar mudanças repentinas no organismo. Suor excessivo sem motivo claro, tonturas, vertigens e até desmaios completam a lista de sinais que exigem atenção médica imediata.
Os números mostram que o problema vem crescendo de forma preocupante no país. Um levantamento realizado pelo Instituto Nacional de Cardiologia, com base em registros do Sistema Único de Saúde (SUS), apontou que os casos de infarto mais do que dobraram nos últimos 15 anos. Entre os homens, a média mensal de internações passou de 5.282 em 2008 para 13.645 em 2022, representando um aumento de 158%.
Entre as mulheres, o crescimento também foi significativo, seguindo uma tendência parecida. Os dados reforçam que a doença não afeta apenas um grupo específico da população e pode atingir pessoas de diferentes idades e perfis.
Os pesquisadores identificaram ainda um fator curioso. O inverno continua sendo o período do ano com maior número de ocorrências. Em 2022, por exemplo, a quantidade de infartos registrados foi cerca de 27% maior durante os meses mais frios em comparação com o verão. A queda das temperaturas pode provocar alterações no organismo que aumentam o risco de problemas cardiovasculares.
Atualmente, as doenças cardiovasculares seguem liderando o ranking das causas de morte no Brasil. Dados do Ministério da Saúde mostram que aproximadamente 400 mil brasileiros perderam a vida em 2022 por complicações relacionadas a essas enfermidades.
Diante desse cenário, especialistas insistem que a prevenção ainda é a melhor estratégia. Manter uma alimentação equilibrada, evitar o sedentarismo, praticar exercícios regularmente e realizar consultas médicas de rotina são atitudes simples, mas que fazem uma enorme diferença. Embora muita gente só procure ajuda quando os sintomas aparecem, a verdade é que cuidar do coração antes dos problemas surgirem continua sendo o caminho mais seguro para uma vida mais longa e saudável.