A tentativa do banqueiro Daniel Vorcaro de fechar um acordo de delação premiada sofreu mais um revés. A Polícia Federal decidiu rejeitar a nova proposta apresentada pela defesa do empresário, que já havia tido uma primeira versão recusada semanas atrás. A informação foi comunicada oficialmente aos advogados nesta quinta-feira (11), aumentando ainda mais as dificuldades enfrentadas pelo ex-dono do Banco Master.
De acordo com pessoas ligadas às investigações, a avaliação dos delegados foi de que os novos elementos apresentados praticamente não trouxeram novidades relevantes para o andamento do caso. Na visão dos investigadores, boa parte das informações já era conhecida pelas autoridades ou não ajudava de forma significativa a esclarecer os fatos que estão sendo apurados.
Nos bastidores da investigação, a percepção é de que Daniel Vorcaro estaria tentando preservar determinadas pessoas próximas a ele. Essa impressão teria pesado na decisão da Polícia Federal de não aceitar a colaboração apresentada pela defesa. Fontes ligadas ao caso afirmam que os investigadores esperavam revelações mais consistentes e capazes de contribuir efetivamente para o avanço das apurações.
O caso é considerado delicado e envolve suspeitas graves. Segundo os investigadores, as evidências reunidas até o momento apontam para possíveis crimes de corrupção, participação em organização criminosa e até mesmo o uso de uma espécie de estrutura paralela para monitorar adversários e obter informações sigilosas. As acusações ainda seguem sob investigação, mas são tratadas com bastante atenção pelas autoridades.
Após a primeira negativa da PF, Daniel Vorcaro decidiu mudar sua estratégia jurídica. O advogado José de Oliveira Lima, conhecido nos meios políticos e jurídicos como Juca, havia conduzido a primeira tentativa de delação. No entanto, pessoas próximas ao banqueiro afirmam que a relação entre a defesa e algumas figuras centrais do processo não estava fluindo da maneira esperada.
Entre os pontos citados nos bastidores estaria a dificuldade de interlocução com o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). Embora não exista manifestação pública sobre esse tema, aliados do empresário acreditavam que uma mudança na equipe poderia abrir novos caminhos para uma eventual negociação.
Foi então que o criminalista Sérgio Leonardo assumiu a defesa. A troca não trouxe apenas um novo comandante para o caso. Houve também uma redução significativa da equipe jurídica. Enquanto a primeira tentativa contou com um grupo formado por 14 advogados, a nova investida foi conduzida por apenas cinco profissionais. A ideia era tornar o trabalho mais objetivo e focado.
A segunda proposta de colaboração foi apresentada à Procuradoria-Geral da República nos primeiros dias de junho. Mesmo com as alterações realizadas pela nova equipe, o resultado acabou sendo o mesmo da tentativa anterior: rejeição.
Nos corredores da Polícia Federal, a avaliação é que as chances de uma terceira oportunidade são bastante reduzidas. Embora legalmente novas negociações possam ocorrer em determinadas situações, investigadores consideram improvável que a corporação volte a abrir espaço para outra proposta sem que surjam informações realmente inéditas e relevantes.
Enquanto isso, Daniel Vorcaro permanece preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. O futuro da investigação segue cercado de expectativa, principalmente porque o caso envolve acusações que podem ter impactos importantes tanto na esfera política quanto empresarial. Em um momento em que o combate à corrupção continua ocupando espaço no debate público brasileiro, novos desdobramentos são aguardados com atenção por autoridades, advogados e pela própria opinião pública.