Olhos e AVC: sintomas na visão podem aparecer antes do derrame; entenda

Muita gente acredita que um AVC acontece de repente, sem dar qualquer aviso. Mas nem sempre é assim. Em alguns casos, o próprio corpo começa a emitir pequenos sinais dias ou até semanas antes do problema mais grave aparecer. Um dos alertas que costuma passar despercebido envolve justamente a visão. Alterações nos olhos, mesmo que durem poucos minutos, podem indicar que algo não vai bem com a circulação do cérebro.

O grande problema é que esses sintomas costumam desaparecer rapidamente. Como a visão volta ao normal, muita gente acaba deixando pra lá, achando que foi apenas cansaço ou algum desconforto passageiro. Só que esse comportamento pode ser perigoso. Em algumas situações, esses episódios são classificados como um Ataque Isquêmico Transitório (AIT), conhecido popularmente como mini-AVC, que aumenta bastante as chances de um derrame mais sério acontecer nos dias seguintes.

Segundo o neurocirurgião Dr. Victor Hugo Espíndola, essas alterações visuais não devem ser ignoradas. De acordo com o especialista, mudanças temporárias na visão podem representar um AIT, funcionando praticamente como um alerta antecipado de que o organismo está enfrentando dificuldades na circulação sanguínea.

Isso acontece porque a visão depende de um sistema bastante complexo. Não são apenas os olhos que participam desse processo. Retina, nervo óptico, vasos sanguíneos e diversas regiões do cérebro trabalham juntos o tempo todo. Quando o sangue deixa de circular corretamente, qualquer parte dessa estrutura pode ser afetada, fazendo com que os primeiros sintomas apareçam justamente nos olhos.

Entre os sinais mais comuns está a perda repentina da visão em apenas um dos olhos. Algumas pessoas descrevem a sensação como se uma cortina escura cobrisse parte da visão por alguns instantes. Esse quadro recebe o nome de amaurose fugaz e costuma chamar bastante atenção dos médicos por estar ligado a alterações vasculares.

Além disso, também podem surgir visão embaçada, dificuldade para enxergar objetos com nitidez, visão dupla ou até perda parcial do campo visual. Em certos casos, a pessoa percebe tudo meio turvo sem uma explicação aparente. Mesmo quando esses sintomas desaparecem rapidamente, eles continuam sendo motivo de preocupação.

Os especialistas explicam que a retina funciona quase como uma janela para observar a circulação cerebral. Problemas como placas de gordura nas artérias, estreitamento das carótidas ou pequenas embolias podem diminuir o fluxo de sangue que chega tanto aos olhos quanto ao cérebro. É justamente por isso que, algumas vezes, os olhos acabam “avisando” antes do restante do corpo.

Outro detalhe importante é que a artéria oftálmica nasce da carótida interna, uma das principais responsáveis por levar sangue ao cérebro. Qualquer alteração nessa região pode comprometer a irrigação e provocar esses episódios passageiros de alteração visual.

Os médicos reforçam que ninguém deve esperar os sintomas passarem sozinhos para procurar ajuda. Mesmo que a perda de visão dure apenas alguns segundos e desapareça completamente, a orientação é buscar atendimento médico o quanto antes. Quanto mais cedo a investigação começar, maiores são as chances de evitar um AVC mais grave.

A atenção precisa ser redobrada caso a alteração visual venha acompanhada de outros sintomas, como dificuldade para falar, fraqueza em um lado do corpo, tontura intensa, perda de equilíbrio ou confusão mental. Quando esses sinais aparecem juntos, a suspeita de AVC fica ainda mais forte e o atendimento deve ser imediato.

Segundo Dr. Victor Hugo Espíndola, o risco de sofrer um AVC aumenta significativamente logo após um Ataque Isquêmico Transitório. Por isso, aqueles primeiros dias são considerados decisivos para fazer exames, descobrir a causa do problema e iniciar o tratamento preventivo adequado.

Na prática, prestar atenção ao próprio corpo pode fazer toda diferença. Se episódios de perda de visão começam a se repetir ou aparecem junto com outros sintomas neurológicos, não vale a pena arriscar esperando melhorar sozinho. Muitas vezes, um sinal que parece pequeno acaba sendo o aviso que pode salvar uma vida. Por isso, qualquer mudança repentina na visão merece ser levada a sério e avaliada por profissionais de saúde o mais rápido possível.



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