Um caso de feminicídio chocou moradores de Itatiba, no interior de São Paulo, na tarde da última quinta-feira (9). Uma mulher de 37 anos foi morta a facadas dentro da própria casa pelo marido, um homem de 43 anos, que dias antes já havia sido preso por violência doméstica. Mesmo com o histórico de agressões, ele respondia ao processo em liberdade quando o crime aconteceu.
A vítima foi identificada como Tarsiana Nogueira dos Santos. Segundo informações da Polícia Civil, quem acionou as autoridades foi o próprio companheiro, Francisco Ayrton Doniciano Santos. Ao entrar em contato com a polícia, ele disse que havia discutido com a esposa, mas não deu muitos detalhes sobre o que realmente tinha acontecido dentro da residência.
Quando os policiais militares chegaram ao imóvel, localizado na Rua Joaquim Augusto Megda, no bairro Jardim Santa Filomena, chamaram pela moradora diversas vezes. Como ninguém respondeu, resolveram entrar na casa para verificar a situação. Foi então que encontraram o corpo de Tarsiana em um dos quartos. A cena encontrada pelos agentes era bastante forte e confirmou que a mulher havia sido vítima de um ataque com golpes de faca.
Depois do crime, Francisco Ayrton fugiu do local. Não demorou muito para que equipes da polícia começassem as buscas pela cidade. Ele acabou sendo localizado em uma avenida de Itatiba enquanto tentava entrar em um bueiro, numa aparente tentativa de escapar da prisão. Os policiais fizeram a abordagem e efetuaram a prisão sem maiores dificuldades.
Durante o depoimento inicial, o suspeito afirmou que não se lembrava exatamente do que havia acontecido durante a discussão com a esposa. Segundo os investigadores, essa versão ainda será analisada no decorrer das investigações e confrontada com as demais provas reunidas no inquérito.
Um dos detalhes que mais chamou a atenção dos policiais foi uma mensagem escrita com carvão em uma parede da residência. O recado teria sido deixado pelo próprio suspeito e era direcionado ao filho do casal, uma criança de aproximadamente nove anos. No texto, Francisco pediu para que cuidassem do menino e ainda tentou justificar o assassinato dizendo que teria descoberto uma suposta traição da esposa. A polícia, no entanto, trata essa alegação apenas como parte da versão apresentada pelo investigado, sem qualquer confirmação até o momento.
O delegado Pedro Henrique Craveiro, responsável pelo flagrante, informou que o casal possuía um histórico conhecido de desentendimentos e episódios de violência. Inclusive, poucos dias antes do feminicídio, Francisco já havia sido preso por violência doméstica. Apesar disso, ele havia conseguido responder ao processo em liberdade, situação que agora também será analisada pelas autoridades.
Após a prisão, a Polícia Civil pediu que o flagrante fosse convertido em prisão preventiva, para evitar que o investigado fosse colocado novamente em liberdade durante as investigações. Até o momento, o Tribunal de Justiça de São Paulo ainda não havia divulgado uma decisão sobre esse pedido.
O caso foi registrado oficialmente na Delegacia de Itatiba e segue sendo investigado. Os policiais agora trabalham para esclarecer todos os detalhes da dinâmica do crime, além de reunir laudos periciais, depoimentos de familiares e testemunhas. A expectativa é que essas informações ajudem a esclarecer completamente o que aconteceu dentro da residência naquela tarde.
Mais um episódio de violência contra a mulher acaba entrando para as estatísticas do país, reforçando o debate sobre a importância das medidas de proteção às vítimas de agressões domésticas. Enquanto a investigação continua, familiares e amigos lamentam a morte de Tarsiana e tentam lidar com a dor deixada por uma tragédia que também atingiu o filho do casal, que agora terá a vida marcada por esse acontecimento.