A morte do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Octavio Gallotti, marcou este domingo (26) e gerou diversas manifestações de respeito entre autoridades do Judiciário e do meio jurídico. Aos 95 anos, ele faleceu em Brasília, encerrando uma trajetória que atravessou décadas da história institucional do Brasil e deixou uma contribuição importante para a Justiça brasileira.
Gallotti fez parte do STF entre os anos de 1984 e 2000. Sua indicação para a Suprema Corte aconteceu durante o governo do então presidente João Figueiredo, ainda no período final do regime militar. Durante sua passagem pelo tribunal, ocupou diferentes funções de destaque, chegando a ser vice-presidente da Corte e, mais tarde, presidente do Supremo entre 1993 e 1995. Foi um período de grandes mudanças políticas no país, quando o Brasil consolidava sua democracia após a promulgação da Constituição de 1988.
Natural do Rio de Janeiro, onde nasceu em 1930, Octavio Gallotti se formou em Direito pela antiga Universidade do Brasil, conhecida atualmente como Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Desde cedo construiu uma carreira ligada ao serviço público. Antes de chegar ao STF, atuou como procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União. Depois assumiu o cargo de ministro do próprio TCU, instituição que também presidiu durante sua carreira. Essa experiência foi considerada fundamental para que adquirisse reconhecimento nacional antes de chegar ao Supremo.
Ao longo dos 16 anos em que permaneceu no STF, Gallotti participou de julgamentos considerados importantes para a evolução da jurisprudência brasileira. Colegas da época costumavam destacar seu perfil discreto e técnico, evitando grandes exposições públicas e preferindo que seu trabalho falasse por si. Era conhecido por analisar os processos com bastante calma, algo que muitos juristas lembram até hoje.
O Supremo Tribunal Federal divulgou uma nota oficial lamentando profundamente a morte do ex-ministro. No comunicado, a Corte informou que o velório será realizado nesta segunda-feira (27), no Salão Branco do STF, em Brasília, entre 10h e 16h. A cerimônia será aberta ao público, permitindo que amigos, familiares e admiradores prestem as últimas homenagens. Já o sepultamento acontecerá na terça-feira (28), no Rio de Janeiro, cidade onde Gallotti nasceu e construiu boa parte da sua história.
Quem também prestou homenagem foi o atual presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin. Em sua manifestação, ele destacou que a trajetória de Octavio Gallotti praticamente se mistura com momentos importantes da história institucional brasileira. Segundo Fachin, o ex-presidente do STF foi um magistrado de grande conhecimento jurídico, sempre comprometido com a Constituição e com a defesa do Estado Democrático de Direito.

Ainda de acordo com o presidente da Corte, Gallotti exerceu a magistratura com independência, serenidade e muito senso de responsabilidade. Também ressaltou que suas decisões ajudaram a fortalecer a confiança da população no Poder Judiciário e contribuíram para formar novas gerações de profissionais do Direito. Para muitos especialistas, seu legado vai além dos votos que proferiu, permanecendo vivo na história da Justiça brasileira.
A notícia do falecimento repercutiu durante todo o dia entre ministros, advogados, professores e instituições ligadas ao Direito. Em um momento em que o Supremo Tribunal Federal continua no centro de importantes debates nacionais, a lembrança da trajetória de Octavio Gallotti faz muita gente recordar um período diferente da Corte, marcado por um estilo mais reservado e técnico. Mesmo após sua aposentadoria, seu nome continuou sendo citado em estudos jurídicos e em decisões que ajudaram a moldar o entendimento constitucional brasileiro. Seu legado, sem dúvida, permanece como parte importante da história do Judiciário nacional.