Análise: EUA e China disputam influência sobre o Peru

O Retorno do Fujimorismo: Keiko Fujimori e os Desafios da Nova Presidência no Peru

Após 36 anos desde que o ex-presidente Alberto Fujimori assumiu o cargo no Peru, sua filha, Keiko Fujimori, fez história ao prestar juramento no mesmo local, após três tentativas frustradas anteriores. Essa nova fase não é apenas um marco familiar, mas uma oportunidade de reescrever a narrativa política do país. No seu discurso, ela destacou a importância da política externa de seu governo, que será focada em construir alianças e criar novos cenários de investimento.

Construindo Alianças na América Latina

Keiko, durante a cerimônia, teve a presença de vários presidentes da América Latina, além do rei Felipe da Espanha, o que demonstra a relevância de sua administração no cenário regional. Ela afirmou que o Peru deve priorizar seu papel no APEC (Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico) e buscar novas oportunidades de investimento e cooperação, especialmente com os países do Oriente Médio. “A nossa localização geográfica pode fazer do Peru uma ponte entre esses continentes e os mercados da América Latina e do Caribe”, declarou.

Recebendo os Líderes Mundiais

Antes mesmo de assumir oficialmente, Keiko recebeu delegações importantes, como a do enviado especial da China e outros representantes dos Estados Unidos. Esses encontros simbolizam as expectativas em torno de sua presidência, especialmente considerando que a China tem sido um dos maiores parceiros comerciais do Peru por mais de uma década. Yin Hejun, representante chinês, enfatizou os avanços na parceria entre os países, especialmente com o projeto do mega terminal de Chancay, que se tornou um ícone da cooperação sino-peruana.

A Relação com a China

O porto de Chancay, inaugurado em 2024 e operado pela Cosco Shipping, representa o potencial de cooperação de alta qualidade entre as duas nações. A China, ao longo dos anos, tem demonstrado um interesse crescente em fortalecer seus laços com o Peru, contando com a figura de Keiko, que carrega o legado de seu pai. Alberto Fujimori foi um dos primeiros líderes a estabelecer um diálogo significativo com o governo chinês, o que facilitou investimentos em setores como mineração e petróleo.

Desafios da Política Externa

Com o crescimento das relações com a China, os Estados Unidos, por sua vez, têm intensificado sua presença no Peru, especialmente a partir de 2025. O embaixador Bernie Navarro expressou preocupações sobre a influência chinesa: “Estamos ficando para trás e precisamos agir”, afirmou. Keiko tem a tarefa de equilibrar essa dinâmica, respondendo à pressão dos Estados Unidos enquanto mantém os laços com a China.

Segurança e Cooperação Regional

Uma das prioridades imediatas do governo de Fujimori é a segurança, especialmente em relação ao narcotráfico e ao crime organizado. Durante uma conversa com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, ela expressou seu interesse em integrar o Escudo das Américas, uma iniciativa que visa unir esforços contra o crime. “Este tipo de problema não respeita fronteiras”, destacou Keiko, o que reforça sua visão de que o Peru deve participar ativamente na luta contra esses desafios.

O Equilíbrio entre Potências

Keiko promete uma política externa pragmática, buscando um equilíbrio entre os interesses dos Estados Unidos e da China. Contudo, essa tarefa não será fácil, e muitos se questionam se ela conseguirá resistir às pressões de ambos os lados, mantendo uma postura independente. Julio Carrión, especialista em política peruana, observa que a estabilidade política que Keiko oferece é uma vantagem, especialmente num cenário de instabilidade que o Peru enfrentou recentemente.

Expectativas e Futuro

O novo chanceler, Carlos Espá, terá um papel crucial nesse processo, dada sua experiência anterior. Embora ainda não tenha ocorrido um encontro pessoal entre Trump e Keiko, uma reunião com o presidente Xi Jinping está prevista para a cúpula da APEC em novembro. Esse poderia ser um momento decisivo para o fortalecimento das relações entre o Peru e a China, enquanto os Estados Unidos tentam reafirmar sua influência na região.

O retorno do Fujimorismo ao poder não é apenas uma nova era para Keiko, mas também um período cheio de desafios e oportunidades para o Peru. As decisões que ela tomará nas próximas semanas e meses poderão moldar o futuro do país e suas relações internacionais, e muitos estarão atentos a como ela navegará por esse complexo cenário político.



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