Gabriela Duarte se pronunciou neste domingo (23/08) depois que trechos de uma entrevista concedida por sua mãe, Regina Duarte, começaram a circular nas redes sociais e ganhar bastante repercussão. A atriz não escondeu o incômodo com a forma como a conversa foi conduzida, principalmente pelas perguntas relacionadas à política. Para ela, o assunto acabou tirando o espaço que deveria ser dedicado ao teatro e ao reencontro das duas nos palcos.
A situação chamou atenção porque Regina Duarte, de 79 anos, e Gabriela, de 52, estão se preparando para voltar a trabalhar juntas. As duas vão interpretar novamente personagens de mãe e filha no teatro, uma parceria que naturalmente desperta lembranças de “Por Amor”, novela exibida pela Globo em 1997 e que marcou a televisão brasileira.
A expectativa em torno desse reencontro é grande, justamente pela história das duas na dramaturgia. Por isso, Gabriela parece ter considerado que a entrevista poderia ter seguido um caminho mais voltado para a carreira, para a peça e para a relação profissional entre mãe e filha.
Durante a conversa que repercutiu, Regina foi questionada sobre política e chegou a ser perguntada em quem pretende votar. A atriz veterana preferiu não revelar sua escolha. O momento acabou ganhando destaque e, nas redes sociais, passou a ser mais comentado do que propriamente o retorno das duas ao teatro.
Gabriela então decidiu falar sobre o assunto em um vídeo publicado no Instagram. Ela deixou claro que não é contra jornalistas fazerem perguntas difíceis, mas questionou o que considerou uma insistência exagerada durante a entrevista.
“O jornalista pode e deve fazer perguntas difíceis, ainda que a abordagem tenha sido bastante deselegante nesse caso”, afirmou Gabriela. Segundo ela, existe uma diferença entre fazer uma pergunta e continuar insistindo até conseguir provocar algum tipo de reação do entrevistado.
Na visão da atriz, quando o desconforto passa a ser mais importante do que a própria resposta, a intenção da entrevista pode acabar mudando. Em vez de buscar uma informação ou conhecer melhor o pensamento da pessoa entrevistada, a conversa passa a procurar uma frase que possa render cortes, manchetes e muita repercussão na internet.
“Quando o desconforto se torna mais importante que a resposta e a busca parece ser por uma frase, corte, uma manchete, aí eu acho que vale a pena perguntar o que está acontecendo com o jornalismo?”, declarou.
Gabriela também fez uma crítica mais direta ao espaço dado para assuntos políticos durante uma pauta cultural. Para ela, falar de política partidária pode até fazer parte de uma entrevista, mas não deveria dominar uma conversa que tinha como principal assunto o teatro, a arte e a trajetória das duas artistas.
“Insistir em política partidária num caderno de cultura, quando a pauta deveria ser o teatro, a arte, a trajetória”, lamentou.
A atriz ainda fez questão de ressaltar que não acredita que a imprensa deva ser poupada de críticas. Pelo contrário, segundo Gabriela, o jornalismo precisa estar aberto a questionamentos, principalmente quando existe uma situação que causa desconforto ou levanta dúvidas sobre a maneira como uma entrevista foi conduzida.
“O importante é lembrar que a imprensa não precisa ser protegida das críticas, mas sim do sensacionalismo”, afirmou.
A declaração rapidamente chamou atenção dos seguidores. O episódio mostra também como entrevistas com figuras conhecidas podem ganhar uma dimensão muito maior nas redes sociais, principalmente quando envolvem temas políticos. No caso de Regina Duarte, esse assunto já acompanha sua imagem pública há alguns anos.
Agora, Gabriela tenta recolocar os holofotes no motivo que considera realmente importante: o retorno ao teatro ao lado da mãe. A expectativa é que a parceria volte a despertar no público a mesma curiosidade que marcou outros momentos da carreira das duas, só que dessa vez com uma nova história para contar nos palcos.