Investigações Revelam Gastos Milionários na Produção de Dark Horse
A produtora Go Up Entertainment Ltda, que ficou famosa por realizar o filme Dark Horse, está no centro de uma polêmica que envolve gastos exorbitantes em hospedagens e outros custos relacionados ao elenco e equipe do filme. Ao que tudo indica, foram desembolsados pelo menos R$ 600 mil apenas em hospedagens de atores e profissionais em um hotel de luxo localizado em São Paulo (SP). Essa informação veio à tona através de notas fiscais que fazem parte do processo no Supremo Tribunal Federal (STF), sob a supervisão do ministro André Mendonça, que está à frente de uma investigação sobre possíveis crimes no financiamento da obra.
Sobre o Filme Dark Horse
Dark Horse é uma cinebiografia que narra a vida de Jair Bolsonaro, ex-presidente do Brasil e figura polarizadora na política nacional. Um dos documentos fiscais revela um gasto significativo de R$ 298.350,49 referente a “Hospedagem + gorjetas e massagens Jim”, que aparentemente se refere ao ator Jim Caviezel, conhecido por interpretar o papel principal. Além disso, ficou claro que dois seguranças também foram hospedados no mesmo hotel, totalizando um custo superior a R$ 68 mil para a produção do filme.
Essas notas fiscais foram emitidas entre outubro e dezembro de 2025. Contudo, existem indícios de que os valores totais podem ser ainda mais altos, uma vez que alguns documentos não estão completamente disponíveis para visualização.
Financiamento de Dark Horse
Um relatório da Polícia Federal (PF) que investiga o financiamento do filme Dark Horse solicita esclarecimentos sobre os recursos repassados por Daniel Vorcaro, o ex-proprietário do Banco Master. Esses documentos foram tornados públicos após a decisão do ministro Mendonça de derrubar o sigilo na última sexta-feira, dia 11.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) defendeu que todos os recursos pagos por Vorcaro foram inteiramente destinados à produção cinematográfica. Em uma entrevista à CNN, ele afirmou que o capital foi “100% investido no filme”. De acordo com Flávio, a produtora teria condições de fornecer contratos ou relatórios financeiros que comprovem a aplicação desses valores.
No entanto, a PF em um documento enviado ao STF, destacou que ainda é necessário esclarecer a origem, o fluxo, a destinação e os beneficiários finais dos valores que foram movimentados durante o processo de produção do filme.
O Papel do Havengate Development Fund LP
Um dos pontos mais intrigantes apontados pelos investigadores diz respeito ao Havengate Development Fund LP, um fundo sediado nos Estados Unidos que recebeu parte dos recursos destinados ao filme. Segundo a PF, a empresa Entre Investimentos e Participações, que está ligada a Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, fez remessas que totalizaram US$ 12,33 milhões ao Havengate ao longo de 2025. Essas transferências ocorreram entre fevereiro e setembro e apresentavam valores que eram muito semelhantes às parcelas acordadas em um financiamento de US$ 24 milhões para Dark Horse, que inicialmente era chamado de Capitão do Povo.
Mensagens que foram encontradas no celular de Vorcaro reforçam a conexão entre as transferências e a produção do filme. Em fevereiro de 2025, diante de dificuldades para efetuar um pagamento referente ao “filme”, Vorcaro orientou que a operação fosse realizada através da empresa Entre. Poucos dias após essa instrução, um colaborador de nome Fabiano Zettel enviou a Vorcaro um comprovante de transferência de US$ 2 milhões da Entre para o Havengate, que foi realizada no dia 13 de fevereiro, indicando que o pagamento era realmente destinado à produção do filme.