Meta é Intimada a Explicar Alcance Estranho em Publicações de Políticos
Nesta quinta-feira, dia 22, a Justiça Eleitoral tomou uma decisão significativa ao determinar que a Meta, a gigante por trás de plataformas populares como Instagram, Facebook e WhatsApp, forneça uma explicação detalhada em um prazo de 12 horas sobre o que tem sido chamado de alcance ‘privilegiado’ de alguns perfis de políticos. Entre os envolvidos estão figuras notáveis como Nikolas Ferreira, Pablo Marçal, Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar, todos vinculados a partidos políticos específicos.
O que a Ordem Exige
A ordem foi emitida pelo ministro Ricardo Villas Bôas Cuevas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e inclui a necessidade de a Meta explicar a origem do alcance das publicações, a proporção de seguidores e não seguidores que visualizaram as postagens e a quantidade total de contas que foram alcançadas. Essa exigência é parte de uma ação que foi movida pela campanha do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No texto da decisão, é enfatizado que os dados devem ser acompanhados de uma explicação clara sobre as métricas de distribuição do alcance que foram usadas. Isso inclui a identificação da origem das visualizações, a proporção entre seguidores e não seguidores, e as principais superfícies de distribuição. O objetivo é esclarecer, sempre que possível, a diferença entre visualizações, contas efetivamente alcançadas e reproduções repetidas, assim como quaisquer limitações nas informações que possam ser fornecidas.
Consequências do Não Cumprimento
Se a Meta não cumprir o prazo estabelecido, poderá enfrentar uma multa de impressionantes R$ 100 mil por hora, o que se traduz em R$ 2,4 milhões por dia. Essa penalidade substancial reflete a seriedade com que o TSE está tratando esta questão, que pode ter repercussões significativas nas eleições que se aproximam.
Por Que Essa Decisão?
Para justificar essa ação, Cuevas mencionou números relevantes do perfil de Nikolas Ferreira em outra rede social, o X (anteriormente conhecido como Twitter). Ele observou que o alcance das postagens de Ferreira no Instagram realmente precisa de esclarecimentos técnicos, principalmente em um contexto onde as eleições são um tema tão sensível e crucial.
Os dados indicam que entre 25 de agosto e 14 de outubro, o perfil de Nikolas estava sob um filtro que impedia sua recomendação. Durante esse período, a maior parte das visualizações – entre 80% e 91% – vinha de seus seguidores. No entanto, após a remoção desse filtro, esse percentual caiu para entre 28% e 41%, indicando que a maior parte das visualizações passou a ser realizada por não seguidores. Isso levanta questões importantes sobre o papel dos algoritmos e mecanismos de recomendação na distribuição de conteúdo, algo que o ministro acredita que precisa ser melhor esclarecido.
A Resposta da Meta
Em um comunicado divulgado na mesma data, a Meta defendeu sua posição, afirmando que o que realmente impulsiona o alcance e o desempenho de um conteúdo é o engajamento, e não apenas o número de seguidores. Segundo a empresa, vídeos que geram um alto número de visualizações, curtidas e comentários em um curto espaço de tempo tendem a alcançar um público mais amplo.
“Uma conta com um número relativamente pequeno de seguidores pode alcançar mais pessoas se uma maior parte de seu público estiver ativa e interagindo com o conteúdo”, afirmou a Meta, acrescentando que isso não significa que haja qualquer tipo de tratamento preferencial. Essa defesa foi feita após a Folha de S.Paulo publicar um relatório que mostrou que um vídeo silencioso de Nikolas Ferreira sobre o Nordeste alcançou 160 milhões de visualizações – um número impressionante que supera as postagens de atletas de renome mundial como Neymar, Messi e Cristiano Ronaldo.
Comparações Impactantes
De acordo com a análise feita pelo jornal, Cristiano Ronaldo, com cerca de 679 milhões de seguidores, teve apenas um vídeo que superou as visualizações do de Nikolas este ano. Messi, que tem aproximadamente 517 milhões de seguidores, e Neymar, com 241 milhões, também tiveram dois vídeos cada um que ultrapassaram essa marca. Em contraste, Nikolas possui 25 milhões de seguidores no Instagram.
Contexto das Intervenções do TSE
Essa não é a primeira vez que a Meta se vê na posição de explicar suas práticas. Na terça-feira, dia 20, a empresa já havia sido chamada a esclarecer a questão do tratamento de conteúdo político. A Meta, em sua defesa, reiterou que suas plataformas aplicam as mesmas regras de distribuição de conteúdo para todos os candidatos e que têm tomado medidas para evitar abusos. Além disso, na última semana, o TSE havia determinado que a Meta não interferisse na distribuição de conteúdo político-eleitoral, uma ordem que se estende até o final do segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro, com uma multa diária de R$ 500 mil em caso de descumprimento.