Justiça analisa ação contra governo de São Paulo por perseguição sindical

Conflito entre Sindicatos e Governo: A Luta dos Policiais Penais em São Paulo

A Justiça de São Paulo está analisando uma ação que foi movida pelo Sinppenal, o Sindicato dos Policiais Penais, contra o governo do estado. A principal acusação é de práticas antissindicais que, segundo o sindicato, estão prejudicando a atuação dos representantes da categoria. Entre as denúncias apresentadas, destaca-se a proibição do acesso de representantes sindicais às unidades prisionais e a abertura de processos administrativos contra dirigentes do sindicato.

O Direito de Fiscalizar

De acordo com o presidente do Sinppenal, Fábio Jabá, desde que Tarcísio de Freitas assumiu o governo, em 2023, o sindicato tem enfrentado dificuldades para entrar nas unidades prisionais. Isso é um problema sério, pois o acesso é um direito garantido pela Constituição Federal. Jabá argumenta que sem o acesso, o sindicato não consegue verificar denúncias e acompanhar as condições de trabalho dos policiais penais. Em suas palavras, “o governo não pode usar o aparato estatal para punir quem denuncia irregularidades, nem pode impedir que o sindicato cumpra seu papel de fiscalizar e proteger os direitos dos trabalhadores”.

Abertura de Processos Administrativos

Além das restrições de acesso, o Sinppenal também denuncia que o governo tem utilizado processos administrativos como uma forma de pressão. Fábio Jabá, por exemplo, é alvo de 10 PADs (Processos Administrativos Disciplinares), o que gera um clima de medo e desmotivação entre os policiais penais. Outros dirigentes, como Gilberto Antônio da Silva e Wilton Borges Viana, conhecido como Wiltinho Poeta, também enfrentam ou já enfrentaram situações semelhantes.

A Crítica e a Liberdade de Expressão

O sindicato ressalta que muitos dos processos administrativos estão relacionados a manifestações e críticas feitas pelos sindicalistas sobre a gestão da Secretaria da Administração Penitenciária. Jabá menciona que suas críticas são direcionadas à situação precária das unidades prisionais, que têm gerado problemas de saúde mental entre os policiais, incluindo casos de depressão e até suicídios. “Eu faço muitas críticas ao governo do estado no meu blog, mas minhas críticas são feitas dentro dos limites da liberdade de expressão”, defende Wiltinho.

Casos de Retaliação

O Sinppenal trouxe à tona o caso de Wilton Borges Viana, que foi exonerado após ter respondido a nove processos administrativos. A justificativa para os procedimentos, segundo o sindicato, foi a publicação de críticas em formato de cordel em seu blog. Para a entidade, esse tipo de ação é um claro exemplo de retaliação e uma tentativa de silenciar vozes críticas dentro do sistema prisional.

A Situação do Sistema Prisional

O contexto é ainda mais alarmante quando se observa os dados do sistema prisional paulista, que abriga cerca de 229.785 presos em 180 unidades. Esse número está muito próximo do recorde de 233.089 detentos registrados em 2019. O Sinppenal também aponta um déficit de 39% no quadro de policiais penais e uma falta de 69% no número de servidores da saúde dentro das unidades. Essa escassez de profissionais compromete não apenas a segurança, mas também a saúde e o bem-estar dos detentos e dos servidores.

Conclusão

As restrições de acesso e os processos administrativos enfrentados pelos dirigentes sindicais estão criando um ambiente de tensão e insegurança. O Sinppenal acredita que essa situação não só afeta a qualidade de vida dos policiais penais, mas também impacta diretamente a segurança nas unidades prisionais. É fundamental que a sociedade e as autoridades competentes estejam atentas a essas questões, pois a luta dos policiais penais é, na verdade, uma luta por condições de trabalho justas e pela defesa dos direitos humanos dentro do sistema prisional.

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