I Encontro Nacional de Comunicação Indígena: Rumo à COP30 em Belém
A cidade de Belém, no Pará, sediou recentemente o I Encontro Nacional de Comunicação Indígena (ENCI), evento que trouxe juntos cerca de 100 comunicadores de diferentes etnias. O encontro ocorreu entre os dias 28 e 31 de agosto, a menos de três meses da tão aguardada COP30, que será realizada em novembro. Este evento é um marco na luta pela valorização da comunicação indígena, que tem um papel fundamental no fortalecimento das vozes dos povos que habitam nossas florestas.
Objetivos do ENCI
O principal objetivo do ENCI é promover uma comunicação mais efetiva entre os povos indígenas e a sociedade, preparando estratégias para garantir que suas vozes sejam ouvidas durante a conferência da ONU sobre mudanças climáticas. O comunicador Ikarunī Nawa, que é co-coordenador da Articulação Brasileira de Jornalistas Indígenas (Abijoi), enfatizou a importância de qualificar os debates ambientais e reconhecer o papel crucial que os povos indígenas desempenham na conservação das florestas. Ele destacou que “nós, povos indígenas, somos os verdadeiros guardiões das florestas, especialmente na Amazônia, onde ocupamos mais de 13,8% do território brasileiro”.
Esses territórios são essenciais não apenas para a proteção ambiental, mas também para a segurança de toda a sociedade brasileira e do planeta. O conhecimento tradicional dos indígenas, que inclui práticas de manejo sustentável, deve ser reconhecido e valorizado na cobertura midiática da COP30.
Preparação para a COP30
A ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, também fez parte do encontro e ressaltou a importância da formação de comunicadores para que possam traduzir os debates da COP30 de uma forma que seja acessível tanto para as comunidades indígenas quanto para a sociedade em geral. “É vital que os comunicadores indígenas estejam preparados para ter uma participação ativa em tudo que acontecerá na COP30. Existe ainda uma grande falta de entendimento sobre o que é esse evento, e é por isso que precisamos garantir que os indígenas façam a cobertura em tempo real, tanto dos espaços oficiais quanto das mobilizações sociais”, afirmou Guajajara.
A Comunicação como Ferramenta Política
Durante os quatro dias de programação na Casa Maraká, os participantes tiveram a oportunidade de participar de oficinas, debates e atividades culturais que enriqueceram o conhecimento e a capacidade de atuação dos comunicadores. Um dos focos principais do encontro foi a construção de um plano coletivo de cobertura da COP30, que servirá como um guia para a produção de conteúdos antes, durante e depois da conferência.
Além disso, o evento também celebrou os 10 anos da Mídia Indígena, um coletivo que tem desempenhado um papel fundamental na articulação de comunicadores em todo o Brasil. Este encontro também marca um passo importante em direção à formação da Rede Nacional de Comunicação Indígena, que buscará unir esforços e potencializar a voz indígena em várias plataformas.
Expectativas para a COP30 em Belém
A COP30 está agendada para acontecer entre os dias 10 e 21 de novembro, em Belém. O governo brasileiro estima que cerca de 3 mil indígenas participarão, o que representa a maior delegação de povos originários a comparecer a uma conferência climática da ONU. As expectativas são altas, pois os povos indígenas devem ter um papel central nas discussões sobre justiça climática, preservação da Amazônia e uma transição energética justa.
Conclusão
O I Encontro Nacional de Comunicação Indígena é um passo significativo na luta pela representação e reconhecimento dos povos indígenas no cenário nacional e internacional. A mobilização dos comunicadores e a preparação para a COP30 são cruciais para que suas vozes não apenas sejam ouvidas, mas também respeitadas e valorizadas. A luta pela preservação do meio ambiente e a proteção das florestas é uma causa que deve unir todos nós, e o fortalecimento da comunicação indígena é um caminho essencial nessa jornada.
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